Os off-shores não existem

Os off-shores não existem. Estou sem tempo algum, serei muito telegráfica, mas quero deixar este apontamento. O DN anuncia os off shores como “investimento”, os partidos de esquerda vieram todos pedir a sua regulação ou limitação. São duas formas de mistificação do problema. Eu explico-me: não existe dinheiro em off-shores, aliás os off-shores nem sequer existem, são uma caixa postal virtual. Investimento é tão absurdo que não comentarei… Agora a questão espinhosa da regulação ou o eterno endeusamento da lei e do Estado pela esquerda. Pode-se regular o vento? Não. Os EUA regularam a corrupção – chama-se lobby e é assim legitimado. O que se faz com uma falsa morada no Panamá faz-se dentro dos EUA com uma morada verdadeira com leis que permitem a fuga legal aos impostos. A própria legislação fiscal tem sido alterada em todos os países, incluindo Portugal, incluindo com este governo, carregando nos impostos sobre o consumo e aliviando os impostos sobre renda, juro e lucro, há ainda a questão dos benefícios /renúncias tributárias.

Agora vamos onde a questão dói e tira votos e por isso ninguém a referiu. Dinheiro é papel pintado, capital só se transforma em mais capital se é investido directa ou indirectamente na produção – aprende-se no ensino básico DN…O “dinheiro” que foi para os off shores não foi para lá, está aqui investido em acções de empresas privatizadas, na dívida pública, na especulação imobiliária, nas parcerias público-privadas. Se a esquerda quer ter uma política séria vai ter que colocar em debate público a expropriação e controlo público destas propriedades – não sei se vai ter mais ou menos votos, talvez menos, menos lugares no parlamento, menos funcionários nos partidos, mas tenho a certeza que é a única forma de repor a justiça e equidade fiscais. Porque o dinheiro destes não está lá longe numa ilha, está na forma de capital, aqui, no nosso país, com morada física, e cartão de identidade. A degradação civilizacional e a destruição do Estado Social e a massa parada de desempregados, a viver num estado vegetativo, precisam de remédios sérios, não de placebos de farinha – quem está nos partidos têm o dobro da responsabilidade de propor soluções verdadeiras. Mesmo quem defende a saúde das PMEs deverá saber que enquanto a electricidade for um negócio, e não um bem público, por exemplo, não há pequena empresa que sobreviva. O mesmo para os hospitais, os transportes, a energia. Há bens que não podem ser serviços mercantilizados, porque a vida de todos nós – não é a vida boa ou má, é a própria vida – depende deles, como bens de primeira necessidade. O país está a caminhar para o abismo, são décadas a criar excêntricos que concentram uma riqueza acintosa, sob qualquer padrão ilegítima.

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4 thoughts on “Os off-shores não existem

  1. Porque razão as pessoas não se importam de fazer papel de hipócritas? A complacência com a barbárie é também uma forma de selvajaria.

  2. Não esquecerei nunca o aviso muito sério que me foi feito pela advogada do MP que me atribuiram quando tive um incidente sem importância de trânsito com as autoridades. O aviso peremptório foi que pagasse de imediato qualquer importância que eu recebesse do tribunal, que deveria ser inferior a 100€, porque se não pagasse penhoravam me imediatamente, ou o carro ou o ordenado. A casa também? Sim. Não, a casa não é minha!!
    E aquele banqueiro do banif que não declarou cerca de 100 milhões ao fisco e a quem o tribunal avisou que ele não considerava o interesse o colectivo? Só isso? E penhoraram lhe algo senhora advogada do MP? A Raquel sabe?

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