Ao Serviço da Dívida

Já perguntaram certamente como é possível pagar-se cada vez mais dívida, pagarmos cada vez mais impostos e termos cada vez menos serviços – a dívida serve para quê? Qual a sua contrapartida? Para onde vai o dinheiro dos impostos? Os Estados em princípio pedem dinheiro emprestado para pagar serviços e investimentos – chamam-se contrapartidas e fazem parte de um mecanismo normal, e aceitável. Elas, no entanto, as contrapartidas, não existem no caso da dívida pública, portuguesa ou, por exemplo, brasileira. Porque ela não é uma forma de endividamento Estatal mas um esquema cujos contornos estamos longe de conhecer, muito longe, com detalhe. Temos algumas certezas, e muitas hipóteses por verificar. Por exemplo, a TAP não podia ter investimento público mas privatizada pode ter o Estado como uma espécie de fiador da empresa. Ou seja, quem a compra diz agora que vai comprar 53 aviões, que custam entre 70 a 300 milhões de euros, mas pede um empréstimo bancário e tem a dívida garantida pelo Estado; mais, uma parte dos aviões quando entram no mercado têm que ser certificados, ou seja, uma parte dos custos do mesmo são uma renda fixa de certificação. O mesmo se passa com uma máquina de TAC ou Ressonância Magnética, em que por vezes mais de 50% do valor são certificações. Mesmo que depois não se contratem médicos para a colocar a funcionar – ou seja, imobiliza-se capacidade produtiva – a máquina e o médico mas já se fez o negócio. Imaginem, por exemplo, que eu sou uma empresária e vendo mesas mas à partida 50% do valor da mesa já está garantido, ou incorporado num valor fixo garantido. O que quero aqui chamar a atenção é que sabemos dos contornos do negócio ruinoso da TAP – sobre isto não há dúvidas – mas não abrimos a caixa. Se abrissemos íamos descobrir todo um mundo irracional de gastos que tornam qualquer orçamento público insustentável, na verdade, tornam o orçamento público num serviço da dívida.

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2 thoughts on “Ao Serviço da Dívida

  1. Só de pensar que uma das pessoas que mais clama contra estas vigarices – Paulo Morais, foi escrutinado com base em votação inferior a Tino, deixa-me, literalmente, de rastos.

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