Call Center

Aos bravos trabalhadores dos call centers, na sua maioria jovens adultos sujeitos a péssimas condições laborais, que se aventuraram na organização nos locais de trabalho, um abraço solidário. A quem telefona para lá lembre-se que do outro lado da linha estão pessoas numa profissão esgotante, com uma cadeia de comando que não deixa tempos mortos, não deixa tempo para respirar, pressionados, mal tratados, são a linha da frente da restruturação produtiva que em vez de pagar 1500 euros a um bancário que nos conhece no nosso bairro paga 500 euros a um bancário do outro lado da linha, fechado, sem ver a luz do sol, com ar condicionado, imobilizado numa cadeira, a atender telefonemas, na sua maioria para resolver problemas. Para justificar os péssimos salários chamam-lhes não bancários, serviços, ou outro tipo de profissionais, mas «trabalhadores de call center» e estigmatizam a sua profissão como indecorosa ou lamentável. E assim se descapitaliza a segurança social porque a sub contratada de call center paga um valor irrisório para a segurança social e o Estado Social. A restruturação produtiva em grande parte dos casos, como estes, não significou como deveria ter significado, a redução do número de horas de trabalho e tempo livre mas a redução das suas condições laborais, a tecnologia não está ao serviço de libertar tempo para viver e melhorar a produção da sociedade, como um todo, mas de reduzir a vida a trabalhar, comer, dormir, trabalhar, comer, dormir, trabalhar…uma rotativa tortura diária oitocentista mas no século XXI. Tenho muito carinho por quem procura, com todas as dificuldades, organizar os locais de trabalho – merecem o nosso respeito. Que este novo sindicato cresça olhando um novo futuro em que o sindicalismo seja democrático, da base para o topo e não o inverso, que olhe todos os problemas, do salário às questões do modo de vida, que seja um ponto de apoio e de confiança e não um mero gabinete jurídico, que os que estão à frente dele não desistam de um mundo mais justo e igual.

1625557_1078791982144076_8039608492029501929_n

Advertisements

3 thoughts on “Call Center

  1. De acordo. No fundo, o mesmo princípio – a exploração – verifica-se em empresas de recursos humanos e de formação, que recebem um montante igual ao do “trabalhador” (quase sempre em situação de trabalho temporário). Não é de agora, e parece não mudar.

  2. O que mais horroriza é o protocolo (para culminar da subjugação) que lhes é imposto no relacionamento/atendimento com os clientes. Salamaleques e mais salamaleques e nós a querermos despachar-nos e a querermos, enfim, desligar, mas quê? As “simpáticas criaturas” mais parecem ligadas umbilicalmente, freudianamente, problematicamente a nós. Tanto assim é que, vez sim vez não, ainda temos de responder ao “questionário de satisfação”. Sermos “redireccionados” para o colega…
    Em que posso ser útil? Dá que pensar, caramba!!

  3. “A quem telefona para lá lembre-se que do outro lado da linha estão pessoas numa profissão esgotante…”

    A condescendência é sempre um acto detestável.

    A forma como estes trabalhadores são escrutinados viola em absoluto os seus direitos, liberdades e garantias. Há na tecnologia um imenso potencial de opressão.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s