“Sou apenas um padeiro”

Este dia ia chegar, chega como farsa, na triste repetição da história. O governo português acaba de aprovar o apoio dos impostos de todos nós à repressão aos refugiados levada a cabo pela ditadura turca; e mais dinheiro para o estrangulamento do povo grego para salvar os bancos alemães e portugueses e gregos. Foi um dia cheio. Uma torrente de horror. Em 2008 num encontro em Londres um grupo mundial de académicos marxistas dizia que o espectro da guerra estava na Europa. Na altura pareceu tão inverosímil este nosso prognóstico. A Europa está a caminho de uma guerra mundial, que tem a UE como uma das principais responsáveis, e o Governo de “esquerda” como o veículo de turno que desta vez em Portugal carrega aos ombros as armas, deste cheirinho a 1913, 1939…Mas recordo-vos, nós temos medo, mas vocês devem ter mais medo. Porque metade dos regimentos franceses se amotinaram em 1916-1917 contra a guerra – metade! -; os soldados russos desertaram para fazer a revolução, revolução que até à sua derrota em 1927 por Estaline, mostrou ao mundo o maior avanço nos direitos humanos, das crianças, das mulheres, da ciência, da arte; em 1943, 3 anos e meio depois da guerra, Hitler e Roosevelt já tinham mais medo dos trabalhadores armados europeus do que um do outro. Nasceu daí o Estado Social, desse medo. Lembro-vos de um filme, quando em Iwo Jima o Japão é derrotado um soldado quase a morrer recebe do general um “você é valente” e ele responde, “não general, sou apenas um padeiro”. Não vão repetir a carnificina do passado. Estaremos cá, primeiro sós, depois acompanhados de milhões. Primeiro virão os cobardes, os que não assumem nada. É deles que ouvirão falar e acharão por momentos que o mundo é só esta gente, um mundo de cínicos, moralmente derrotados. Depois virão os melhores, os mais sérios, os mais responsáveis, a dizer: “em meu nome não”. Que a UE seja enterrada pelos trabalhadores gregos, que a Turquia ditatorial seja derrotada pela resistência, no fundo, como escreveu há dias Coimbra de Mattos, que façamos “uma revolução como única forma de evitar a violência”. Como única forma de salvar a Europa e fazer deste continente um lugar especial, de europeus, sem fronteiras, sem pilhagens das terras alheias, sem guerras eternas e sucessivas, sem destruição de milhões de vidas para salvar bancos. A vossa Europa é irrespirável porque não é Europa, é o nacionalismo, a xenofobia, a desigualdade, a barbárie. Em meu nome não!

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One thought on ““Sou apenas um padeiro”

  1. A Europa vai entrar numa guerra. Vai? Não vejo nem na realidade nem no seu discurso condições objectivas. Se fosse por vontade da esquerda há muito que teria havido guerra, mas a esquerda não tem apoios militares para tal. Num cenário de invasão de países, novamente não. No quadro da Nato isso é inverosímil.
    A não ser que a Raquel ache que o crash entre manifestantes discordantes seja prenúncio ou condição suficiente para guerra mundial.

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