HR, o pequeno Le Pen medíocre

Henrique Raposo não é um Charlie ameaçado, é um pequeno Le Pen medíocre. Ricardo Araújo Pereira, cujas crónicas muito aprecio, escreveu sobre a liberdade de expressão de Henrique Raposo. Se o caso Henrique Raposo fosse de liberdade de expressão ameaçada estaria com ele. Deve poder-se publicar tudo, e em qualquer circunstância. Mas não é. Tiro ao lado do porta-aviões do nosso genial humorista – não se acerta sempre na vida. Quem viu com cuidado não as crónicas a reagir às redes sociais mas a reacção das redes sociais, sabe certamente do que falo. Qualquer paralelo com o nazismo/ditaduras, que foi feito por vários cronistas, deve ser não entre o comportamento da maioria das pessoas nas redes sociais e as ditaduras mas entre a defesa de um povo que gosta de ser analfabeto, não se importa de ser violado, é mau com o próximo, e por fim mata-se sem culpa cristã – o racismo de HR – e a defesa da democracia e da verdade, espelhada nas centenas de comentários cultos, civilizados, decentes e sérios que milhares de pessoas colocaram em rede, fazendo do livro uma triste caricatura.

O revistar do passado de HR, que destrata o seu passado pobre, e despreza a sua família – Ah! mobilidade social, a quanto obrigas!!, quanto costas dobradas e joelhos a rastejar! – , foi arrasado nas redes sociais, não com queima de livros, mas com dados e testemunhos, análises profundas, que não vieram nos jornais. Foi uma demonstração que já não se pode, porque se tem acesso aos jornais, como é o caso de HR, escrever todas as mentiras, superficialidades e, no caso, declarações de um racismo social quase inédito entre nós, que passa por “sinceridade” e “provocação”. Na verdade, as redes sociais, na sua esmagadora maioria, mostraram um extraordinário exemplo de democracia e civilização a um autor que tentou, sem sucesso, explicar que há povos que merecem ser subjugados porque são inferiores. Racismo é isto, não é as parvoíces que alguma esquerda tanta vez adere do nome, da imagem, do símbolo, aspectos secundários. Nunca esteve em causa no dito livro a liberdade de expressão, porque essa nunca foi ameaçada de facto – houve milhares de pessoas com dados a ridicularizarem o livro e uma ou duas a destruí-lo- , mas o racismo social presente num livro que trata os alentejano pobres como brutos, incapazes de solidariedade, idiotas, felizes com a sua infelicidade, isso sim é racismo, do sério, que merece muita atenção. Foi por isso abraçado pela direita radical como um exemplo de liberdade! O patrão do Pingo Doce foi ao lançamento do livro de HR não para defender a liberdade de expressão mas a necessidade dos baixos salários dos atrasadinhos alentejanos, do Minho a Vila Real de Santo António. Afinal pobres são pobres porque são burros e gostam, ateus sem moral, animais competitivos sem solidariedade, logo o lugar ideal deles é no Pingo Doce a receber 500 euros – isto foi melhor compreendido por milhares de pessoas nas redes sociais do que nas crónicas dos jornais. Nem sempre é o caso, mas desta vez a maioria deu uma lição de democracia e saber contra as sementes de racismo que se colocam na terra, a coberto das crónicas “irreverentes” e “insultuosas”.

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3 thoughts on “HR, o pequeno Le Pen medíocre

  1. Alguém tem de puxar as orelhas a estes Millenials tardios. Tardios, sim. HR há cá muitos. Já têm idade para ganhar a vida honestamente, mas preferem sabujar nas fronhas dos chefes, dos generais, dos merceeiros, dos intelectuais esquecidos. Não sei se a Raquel é alentejana. Eu sou, electivamente, e, se tivesse oportunidade dava um sopapo a esse miserável do HR.

  2. Boa noite,

    Uma vez que, de certa forma, fez comigo esta caminhada, venho aqui deixar-lhe o link para aquele que espero ser o último artigo,comentário ou partilha que faço acerca deste assunto.
    Nem sempre concordo consigo, mas respeito e respeitarei sempre a sua forma de pensar
    Grata pela sua tomada de posição, neste triste e ridículo “incidente”
    Até sempre,

    Teresa Varela

    http://caminhos-labirintos.blogspot.pt/2016/03/sem-borracha-para-apagar-na-net-ou-o_13.html

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