Olha! Têm um Henrique Raposo!

Ao que parece o tema Henrique Raposo ganhou contornos massificados, e é o tema de várias crónicas e quase 1 milhão de visualizações o seu vídeo. Hoje, o editor da revista Sábado cita-me por um crónica que escrevi sobre o vídeo e sobre a metodologia dos estudos do suicídio, a «eminente socióloga-amiga-dos-operários-e-desfavorecidos» defendendo HR como um paladino da liberdade. E cita uns números de suicídios para tentar defender HR. Calma, chá de camomila, primeiro. O editor da revista, Fernando Esteves, não sabe nada de suicídios nem tem que saber, mas mandam as boas regras do jornalismo que antes de opinar pegue no telefone e ligue a quem sabe. Por exemplo, a Direcção Geral de Saúde já comunicou em 2013 que há subnotificação do suicídio – e a subnotificação é maior no norte. O suicídio é das questões que mais provoca sofrimento nas famílias, todas elas, de norte a sul, mas no norte oculta-se mais a causa da morte – o obscurantismo da Igreja tem neste caso um papel determinante. Eu não sou socióloga, sou historiadora. Embora em nome da ciência hoje trabalhamos em belas equipas multidisciplinares. Tenho muito respeito por quem trabalha, operário ou não, é o trabalho que move o mundo, mas não gosto de desfavorecidos, já me soa a vítimas e eu não gosto de vítimas, nem ricas nem pobres.

E HR não é uma vítima, é um tipo que por alguma razão que o país desconhece, da qual não consta qualquer destaque no cv, notas na faculdade, trabalho publicado, equipas coordenadas, teses analíticas – tem a liberdade de achincalhar a população e dizer umas coisas que só em Portugal são possíveis: que as mulheres no Alentejo nem sabem bem o que é uma violação porque, «quer dizer», nem sequer «têm uma palavra para isso». Ou que os alentejanos não têm uma relação sentimental com o suicídio – «Olha! Matou-se»!. Ele tem o direito de publicar isto, e a Fundação Francisco Manuel dos Santos de o vender junto com as couves. E livros não se queimam, e opiniões não se silenciam – deixamos isso para os jornais e revistas atulhados destes cronistas especialistas no «achismo» e na ofensa gratuita como forma de angariar espectadores. A direitos porém, dizemos nós, defensores da liberdade, correspondem deveres – o dever de mostrar que a direita ultramontana anda, como hei-de dizer…desfavorecida. Desfavorecida de quadros, de intelectuais, de jornalistas, de pensadores, de cronistas. Que é como quem diz: Olha! Têm um Henrique Raposo!

 

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3 thoughts on “Olha! Têm um Henrique Raposo!

  1. Adorei.
    Que pena estarem a meter política nisto.
    Que pena as pessoas aproveitarem uma criatura que nem respeitam e que não quero nem classificar, pois o adjetivo seria demasiado mau, para fazerem jogadas políticas.
    É triste. É triste o que ele escreveu. É triste o motivo ou motivos porque o escreveu. É triste o aproveitamento político.
    Mas, enfim, o pragmatismo e o humor vencem isto.
    Se lhe apetecer, faça-nos uma visita na página do facebook.
    Fica o convite da
    TURBAMULTA

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