Teoria

Uma das tarefas mas difíceis no ensino universitário é mostrar a quantidade de tempo que um aluno ganha quando perde algum tempo a ler teoria. A totalidade – o olhar sobre o conjunto; a conjuntura – a historicidade; a contradição; a mudança – quantitativa e, sobretudo, qualitativa; a assimetria. Sem isto mergulha-se num documento histórico como alguém que entra numa gruta sem mapas, luzes, capacete, bússola – só encontra o que está lá se tiver a sorte de tropeçar no objecto. E mesmo tropeçando nele não vai conseguir perguntar-lhe o básico – de onde vem, como mudou, como se relaciona com o que está em volta. Os mecanismos de recompensação imediata das novas tecnologias são incompatíveis com a recompensação da aprendizagem complexa que exige tempo e concentração – e da qual só somos reconhecidos, recompensados, ao final de muitos anos. No futuro disputará o mercado de trabalho escasso quem consegue ler várias horas seguidas e não quem consegue estar ao computador 10 horas – para esse trabalho haverá milhões a concorrer em igualdade de circunstâncias. Nada disto é alheio ao tarefismo que contaminou a universidade, às novas formas de divisão social do trabalho, isto é, a universidade, que deveria ser universal, abarcar a totalidade como horizonte, está parcelada porque «voltada para o mercado de trabalho», no nosso caso fortemente informatizado, mas não só. Um autor maior neste campo, para além dos mais conhecidos, é Antonio Labriola, que eu saiba não traduzido entre nós.

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