The Times They Are A-Changin’

Hoje era um bom dia para o reconhecimento humilde dos limites teóricos do keynesianismo, não referirei sequer a economia vulgar/liberal, e recordar o mais importante pensador de sempre – Karl Marx. A deflação – queda geral dos preços por aumento do capital constante (desde logo, mas não só, o brutal investimento em tecnologia) – materializou-se na retração da produção ocidental na China e agora na queda do Deutsche Bank. Aproxima-se a tempestade perfeita – crise ciclíca capitalista, sem o aparato de contenção associado à URSS e aos sindicatos a ela afectos, com uma crise importante nos partidos social-democratas tradicionais, a massiva proletarização dos sectores médios, e sem política monetária, porque as taxas de juro já estão negativas. No Sul da Europa não há base social para qualquer resposta de tipo ditatorial/bonapartista – no norte é ainda uma incógnita. Nas fronteiras da Europa há guerra, no Médio Oriente, na Ucrânia, no Mediterrâneo. Há ilhas gregas, não estou a exagerar, onde há falta de espaço para enterrrar refugiados mortos. Estão convocados todos a olhar para este cenário apocalíptico com realismo (respeito teórico pelos que no passado explicaram melhor do que ninguém a origem das crises), mas também com a responsabilidade colectiva – implica não estarmos à espera que alguém vai reagir por nós, era um bom momento de enterrar o narcisismo e a vitimização dominantes. Vai ser preciso uma reflexão colectiva nova, não inventamos a roda, respeitamos quem no passado nos legou um saber sustentado, mas é evidente que há toda uma nova forma de organização social a ser pensada, incorporando uma crítica voraz sobre erros do passado – o mais importante, o esmagamento do indíviduo. Será precisa uma certa fé, reconheço, que os sectores europeus mais conscientes e organizados, a começar pelos trabalhadores industriais alemães, terão um papel destacado em encontrar algum caminho civilizacional. Porque a burguesia europeia (não foi o «grande capital», expressão historicamente infundada), que se suicidou em 1939 vai voltar a fazê-lo neste século XXI – disso não tenho quaisquer dúvidas. Ou virá dos assalariados, manuais e intelectuais, um caminho novo, ou não virá de mais lado nenhum.

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