Quais transportes públicos?

António Costa mandou os portugueses andar de transportes públicos. Agradecemos o incentivo moral. Agora só falta o estímulo material de dar transportes públicos aos 5 milhões que vivem fora das áreas metropolitanas e às (centenas de milhar) que ou vão de carro para o trabalho ou levam 2 horas em 3 transportes a chegar ao trabalho, gastando 4 a 5 horas por dia e 130 euros em passe «social» – faria se não fosse social…- ou 1 hora e meia ou 1 hora e 200 euros em gasolina. É, diria Guterres, fazer as contas. Ficaríamos também felizes em saber que os impostos sobre a gasolina e o carro vão ser utilizados a reconstruir a rede ferroviária e não a remunerar as parcerias público privadas rodoviárias, que neste orçamento engolem mais de mil milhões de euros, para o Grupo Melo, Mota Engil, que sem trabalho algum recebem taxas de remuneração que só existem no mercado negro. Mas isso seria atingir não os milhares de famílias que ganham 2 mil euros – que o PS já assumiu com despudor que é quem vai pagar a maior parte da factura – mas os 25 milionários – vamos escrever por extenso «vinte e cinco» – que detêm a riqueza equivalente a 8% do PIB. Minoria por minoria mais vale avançar sobre médicos, advogados, professores, pequenos comerciantes, pequenos produtores, operários qualificados. Registamos também, com a mesma ironia com que Costa nos sugere andar de transportes públicos (quais? a que preço?) que há 50% dos portugueses que já nem vão às urnas – incompreensível num quadro político tão inovador e interessante – mas também que há uma percentagem elevada dos nossos conterrâneos que quando as medidas são aplicadas pelo PSD/CDS são «vergonhosas» (e são mesmo), mas quando são aplicadas pelo PS são «as medidas possíveis».

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7 thoughts on “Quais transportes públicos?

  1. pode ser que a abstenção diminua …pois quem vota é o povo que foi papado durante anos, para tirar aos pobres e dar aos ricos. E não há falta de transportes públicos, nem nas linhas nem para a outra margem Os milhares de privilegiados dessa classe média que se aurotransporta que suporte os impostos, mas que esses revertam a favor dos mais desprotegidos, os que não votam.Senhora jornalista, quanto ganha por mês, tem todos os privilégios, desde despesas pagas, tais como os transportes, os telemóveis, os almoços em serviço. Fiz parte dessa classe social e sei com quem vivi no mundo empresarial .Hoje como reformado sinto mais na pele toda a voracidade do sistema capitalista liberal.

    • Não há falta de transportes públicos? Tem a certeza? Eu já li historias de pessoas que vivem na margem sul e que têm de gastar dinheiro e perder tempo em imensos transportes, pois linhas directas é algo que não existe. E o que dizer de quem vive fora dos grandes centros urbanos? Aí nem se fala! Tenho uma irmã que vive no Alentejo. Ela precisa de um carro, quer queira, quer não, porque transportes públicos decentes, nem vê-los!

  2. Já há bastante tempo que me debato com a possibilidade de deixar de usar o carro e utilizar os transportes. Moralmente e éticamente é o que faz mais sentido para mim mas depois também me deparo com este dilema. Obrigado por torná-lo público e acessível a quem precisa de ver.

  3. Olhe dona, aqui em casa a minha mulher desde sempre que se desloca de e para o trabalho em transportes públicos. E como não há camioneta direta daqui para os 30 km até ao local de trabalho, apanhava um autocarro até ao Campo Pequeno e outro para fazer mais 40 km até aos arredores onde dirigiu 11 (onze) escolas de um Agrupamento. Coisa pouca! E falo no particípio passado pois teve que se reformar por ter atingido os 70 anos! De transportes públicos!
    Fez parte do CNE e ia às reuniões, como? De transportes públicos! De verão e de inverno. Sempre!
    Pense um pouco mais antes de misturar impostos, de que parece saber pouco, com carreiras de autocarros, de que parece saber um pouco mais!

    • “Pense um pouco mais antes de misturar impostos, de que parece saber pouco, com carreiras de autocarros, de que parece saber um pouco mais!” Tem a certeza, meu caro? Olhe, pense um bocadinho também antes de teclar.
      Primeiro: acha normal o facto da sua mulher perder tanto tempo e dinheiro nos transportes públicos?
      Segundo: ora diga lá: quem é que paga isto? Não são os bancos, com certeza. Nem as grandes empresas como a Mota Engil e outras. Somos nós. O povinho é que paga.

  4. Público é o oposto de privado ! É isso que esses tais transportes são ! São públicos apenas porque podem ser utilizado por qualquer pessoa , desde que pague , claro . O Costa e os da sua casta , se tivessem que utilizar esses transportes teriam tento na língua e poupavam-nos a bacoradas d
    esse jaez . Experimente esses transportes a diversas horas e depois fale . O Costa e os da sua classe não sabem nem querem saber que há MILHARES de pessoas que não têm outra hipótese de trabalhar se não tiverem transporte individual para se deslocarem para o trabalho .

  5. Boa tarde Raquel! Normalmente sigo-a e concordo em absoluto com tudo o que diz! Venho corroborar o que diz, sou Educadora de Infância, funcionária pública( só com obrigações…) faço itinerância, por todo o concelho na cidade onde vivo, uma cidade do litoral, mas muito pouco desenvolvida. Trabalho com crianças especiais nos seus contextos de vida. Obviamente ando no meu carro…pouquíssimos transportes públicos e imensa dificuldade em fazer ligações…logo sou penalizadissima…para além do preço do combustível, tenho o desgaste do carro, pagamento de pórticos, horários a cumprir os Srs agentes sempre à espreita, pagamento de estacionamento..e no final de cada semana muitos quilómetros feitos.

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