O interesse do desinteresse das eleições

Pese embora todo o esforço dos candidatos e de todos os media terem feito uma cobertura – louvável e rara – democrática (como, na minha opinião, nunca tinham feito antes), o interesse das eleições é o desinteresse da maioria dos portugueses nas eleições. 24 por dia de TV, arruadas, comícios, mobilização de figuras públicas e se perguntarem a um português, qualquer, no meio da rua, se participou nesta campanha, se tem um candidato não só útil mas o seu candidato, que lhe enche a alma, se estão ansiosos por saber o resultado de Domingo, a hipótese de ele abanar os braços e seguir rumo é imensa. É impossível, dizia a minha e todas as avós, ter sol na eira e chuva no nabal. A «classe política» ao longo do século XX foi-se afastando da população, profissionalizou-se, nos partidos, nos sindicatos e no Estado. Isso leva aliás à ocultação, ainda que sem propósito, de que representam interesses, e sempre em nome de uma tecnicização da política – só quem conhece os «dossiers» pode exercer política. Assim um médico ou um operário não fazem política, não «conhecem os dossiers» mas um político eleito de 4 em 4 anos decide por eles onde se alocam recursos hospitalares, o que se produz, como, para quem, etc. A essência da política não é, hoje, como seria belíssimo, a arte de gerir por todos com responsabilidade e dedicação uma sociedade colectiva que tem que produzir bem mas dar a um representante, de 4 em 4 anos, ou 5, esse privilégio. Aprende-se a participar participando – se não se participa é natural que quando se é chamado a participar não se atenda o pedido. A abstenção não vem só da «pedagogia do medo, do não há alternativa» ao pagamento da dívida e UE, que o povo transforma no hiperbólico «são todos iguais». Tirando um grupo de algumas dezenas de milhar de pessoas – envolvidas no Estado, nos partidos, nos media, nas associações, mesmo que, como em muitas casos, sobretudo creio ao nível da base dos sindicatos, nas chefias intermédias, da administração local, onde gente com pouco poder tenta fazer muito, em genuína boa vontade, a maioria da população, mesmo fora da colossal abstenção, não vive as eleições como algo seu.

Advertisements

One thought on “O interesse do desinteresse das eleições

  1. Paulo de Morais perdeu. Não é novidade nem fico triste com o meu Pais. O que me deixa revoltado é o tratamento que os media deram à sua candidatura até ao fim. Usaram uma estratégia de “não falaremos bem nem mal logo não existe”.

    Se for dar uma vista de olhos pelos canais de tv e jornais verá que os candidatos verdadeiramente independentes são agrupados e em alguns orgãos postos como uma unidade, no caso do diário de noticias por exemplo.

    Os comentadores e o Costa mandaram a boca indireta que o povo não apoiou candidatos anti-sistema. Os próprios jornalistas não deram qualquer cobertura revelante. Estamos a falar de um candidato que entrou à muito mais tempo para esta luta que os últimos.

    Um candidato que não se deixou ficar pelas palavras. Denunciou e fez até ao fim o seu trabalho.

    O Tino sem dizer nada de revelador e aparecendo por último foi aquele que mais se destacou. Imagine a Raquel a denunciar casos de corupção, a passar pelo tribunal e gastar do seu bolso os transtornos que tudo isso causa. Imagine agora que aparece alguém popular que não diz nada com sentido e fica muito à frente mesmo tendo se inscrito quase no fim da campanha. É neste Pais que queremos viver?

    Eu não quero viver num Pais que dá crédito a alguém que não apresenta nenhum trabalho nem ideias em concreto e ainda aparece por último e fica à frente de alguém que se opõe ao saque desta gente mandando gerações para a pobreza.

    Sabe, Raquel a culpa é sua. É dos professores que desmotivam os alunos nas escolas oferecendo-lhes matéria, um mundo dificil e preconceituoso. O Hitler foi impedido de aprender desenho pelo pai e depois negado pela escola. É a escola que destroi a sociedade. Ela agrupa cidadãos que vivem bem e exclui a maioria, aquela que não tem paz em casa, que não tem como pagar explicações e aquela que não aprendeu a entender que faz parte da sociedade nos direitos. É sua como educadora. É sua porque ainda não a vi lutar por um ensino melhor em Portugal. O que fez nesta matéria é muito pouco.

    Depois, todos pagamos vendo Tinos à frente de candidatos que fazem alguma coisa. E um dia Raquel ainda vamos ser governados por um tiririca e lembre-se que quando isso acontecer foram vocês educadores que falharam!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s