Não são os exames que fazem da escola um lugar segregado

Conhecem a velha piada do tipo que está 4 horas a comer e diz que ficou mal disposto porque «comeu a cereja que está em cima do bolo» no final? Somos hábeis a fazer dos pequenos problemas grandes para evitar olhar os grandes, os enormes, que temos pela frente. O exame aos alunos é uma análise, que avalia professores, alunos e sobretudo o Ministério da Educação e o sistema educativo. E o que dizem os nossos exames?

Que metade das crianças do país, metade, não atinge os mínimos a matemática e português, apesar de estarem na escola 8 horas por dia, repito, 8 horas! – horário de trabalho infantil – seguido de explicações e trabalhos para casa – é uma insanidade. Saem de casa às 8, voltam às 7, sempre numa sala de aula, de estudo, de apoio, de academia…, voltam exaustos, não brincaram, e não aprendem os mínimos. O resultados dos exames, e não os exames, são a confissão de um rotundo falhanço científico e educacional. Não vale a pena classificá-los a todos como disléxicos, hiperactivos, geneticamente incapazes e drogá-los com ritalina e constante «apoio psicológico» – nós, como sociedade, falhámos, é o que dizem os exames, e por isso temos que mudar de rumo.

Não são os exames que fazem da escola um lugar segregado, quando nascemos já está determinado que vamos ser o que os nossos pais são – a mobilidade social não existe pela educação porque os pais, o bairro, isso tudo determina hoje muito mais o futuro de cada um – infelizmente «filho de sapateiro, sapateiro será». Reduzir o problema da escola à existência ou não de exames é não perceber que na escola hoje quase tudo está mal – horários esgotantes para alunos e professores, má formação científica dos professores, universidades que não formam como deviam, professores mal pagos, problemas sociais gravíssimos como o desemprego massivo, carga burocrática insuportável, da primária à Universidade a educação caminha retrocedendo. A responsabilidade é nossa, professores, pais, cidadãos. As nossas crianças não estão bem porque tudo à volta delas está mal. A minha reflexão sobre o tema aqui neste curto vídeo, no Último Apaga a Luz.

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