Lady Rosa Luxemburgo

Quem hoje celebra Rosa Luxemburgo, no trágico aniversário do seu assassinato, seja cuidadoso, por respeito à memória que fica cá de cada um. Mesmo depois de mortos merecemos seriedade em relação ao que escolhemos ser e há limites à interpretação da palavra e da vida dos outros. Se tivessemos que escolher a mulher mais importante da história – felizmente não temos, o mundo é rico em pessoas especiais -, mas se a isso fossemos obrigados o lugar seria dela.

Rosa Luxemburgo nunca foi feminista, fugia das reuniões feministas que achava «enfadonhas», mas ao decidir ser dirigente de uma corrente política socialista, de homens e mulheres, fez mais pela libertação das mulheres do que os grupos restritos de mulheres-que-defendem-direitos-das-mulheres. Era judia e recusou ser de um partido socialista judeu. O seu socialismo era para homens e mulheres, judeus e todos os outros. Não era nacionalista, foi contra a independência do seu país, a Polónia. Era internacionalista e por isso foi também contra qualquer patriotismo no seu outro país, a Alemanha, cuja guerra esperou e lutou para que a Alemanha, onde vivia, fosse derrotada – por isso foi presa. Era uma militante organizada de um partido político revolucionário, não era uma propagandista nem limitou a sua vida à defesa do sindicalismo imediatista, dedicou a sua vida ao estudo sério, é uma das mais importantes intelectuais de sempre, mas também se dedicou à organização – a palavra nela foi gesto, a imagem foi acção. Foi por isso isolada, pressionada, ameaçada. Embora na forma de organização que preconizava fosse mais aberta de facto aos movimentos jamais isso teve um reflexo de na política a colocar como centrista, em «cima do muro». Recusou sempre qualquer compromisso, de facto ou escrito, que não fosse democrático, confiava nos mais humildes e pobres, e com a mesma determinação recusou caminhos fáceis, eleitorais, que ocultavam dos trabalhadores alemães em plena guerra a verdade sobre a aliança de Estado que existia entre o sector mais reacionário da Prússia e o trágico caminho da social-democracia alemã, em pujante crescimento. Foi por isso assassinada. Viveu de forma apaixonada, pelos homens que amou também, na contra corrente, porque nunca escondeu que a sua luta contra o capitalismo era uma luta para, cito, «”desfrutar da vida”, viajar, ler bons livros, admirar a primavera como nunca antes». Lady Rosa Luxemburgo.

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