Em que país queremos viver?

António Mexia recebe 1, 9 milhões de euros por ano. Um cirurgião do Hospital de São José com 30 anos de serviço em exclusividade no serviço público, incluindo 12 horas semanais de urgência, recebe 2 mil e 200 euros por mês. É este o país em que queremos viver? Compreendem que a pessoa mais formada do mundo, mas inteligente, dedicada, esforçada, inovadora, agregadora de equipas se trabalhar 24 horas por dia 365 dias por ano jamais vai produzir riqueza no valor de 1, 9 milhões de euros? Que é evidente que ganha uma parte pelo seu trabalho mas a maioria é ganho à conta do trabalho dos outros? É parasitismo social e não compensação pelos esforços para a produção. Já um médico ganhar 2 mil euros ao fim de 30 anos de serviço, o que significa que de facto tem um salário de reprodução biológica, que lhe permite pagar as contas deles e dos filhos e pouco mais, é um desprezo pelo esforço, pelo brio, pelo trabalho dedicado. Independentemente de se concordar ou não com esta avaliação moral há um facto: quem paga assim a médicos e a gestores está a dizer que quer um país em que não há médicos, há gestores. E a pergunta que fica, se assim for, é: gerem quem e o quê? Um deserto humano de gente pobre sem qualificações que morrem na porta de uma urgência por falta de médicos num país de grandes gestores?

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3 thoughts on “Em que país queremos viver?

  1. Nem grandes gestores são! Vergonha! Para os que andam sempre a dizer tão bem do nosso país e das nossa gentes, eu digo, não, não se pode ser digno quando se aceita o que nos tem acontecido! O que fazer? Revoltar-se, indignar-se, atuar quando se pode! Vejo muita resignação, face a tanta trafulhice, tanto roubo, tanto xico espertismo! Mas parece que somos famosos nessas qualidades!

  2. Quem paga assim a médicos e a gestores está a dizer que quer um país em que não há médicos, há gestores. E quem trata os cidadãos como a máquina do estado está a fazer comigo está a dizer que também não me quer como um cidadão válido e integrado. Só me quer enquanto contribuinte.

    Era escusado que em Portugal o fisco fosse tão feudal ou mafioso!… Uma das minhas diversas histórias com o fisco conta-se aqui.

  3. Pingback: No maravilhoso país da dra Raquel Varela | O Insurgente

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