1989-2008

A social democracia hoje na Europa vive, paulatinamente, é certo – primeiro no sul, em breve no norte -, o que viveu o estalinismo na década de 90, é o começo da agonia destas formações. 2008 foi para a social democracia o 1989 dos PCs. Estamos a viver um tempo de ruptura histórica. Há um antes e depois da crise de 2008. A crise do bipartidarismo na Europa é o reflexo do estreitamento das políticas social-democratas, o PASOK eclipsou-se, em Espanha ainda não há governo.

É um erro historiográfico sério, mas comum, comparar conjunturas que não são comparáveis. O reformismo político da Alemanha de Weimar deu-se na pujança de acumulação pós 1919 – os loucos anos 20, ou seja, «ninguém» sabia onde gastar tanto dinheiro; o reformismo político francês de 36 suportou-se nas colónias e o reformismo do Estado Social do pós 1945 foi erguido com os trabalhadores europeus todos armados – milhões de soldados – e em cima da destruição/lucro massivos da reconstrução do pós-guerra. O Estado Social não era um programa social democrata, foi abraçado pela social-democracia mas nasceu não de um consenso mas do apocalipse, dos 50 milhões de mortos da II Guerra e do facto de dezenas de milhões estarem armados e só aceitarem deixar as resistências e entregar armas em troca do pacto social europeu.

A margem quer de recuperação das taxas de lucro no centro quer do seu contraponto político – a social-democracia efectivamente baseada em reformas reais que criam uma base social de contenção dos conflitos -, está hoje impossibilitada, pela dinâmica objectiva da crise em fazer reformas. É um reformismo sem reformas ou, como escreveu Valerio Arcary​, para o Brasil do PT, «quase sem reformas». Não por acaso o programa da frente popular de contenção revolucionária na França de 36 foram férias pagas, aumento de salários, limite da jornada laboral e em 2015 na Grécia o Syriza tinha uma mão cheia de nada para oferecer à população, metade dela na pobreza oficial, população que nos bairros pobres chegou a cerca de 80% dos votos a favor do Não ao Memorando. Quem observa o medo das classes humildes, sectores médios sem olhar o pavor em que vivem as diversas fracções das classes dominantes, ignora que hoje estamos no declínio do modo de produção e não na sua fase expansiva. O que isso vai originar ainda não sabemos, mas é errado colocar na mesma expressão histórica o Partido Social Democrata Alemão de 1919 e os de hoje – PS; PSOE; PASOK etc.

Advertisements

2 thoughts on “1989-2008

  1. Urge encontrar uma forma de organização das sociedades que impeça o controlo dos meios de produção por um grupo restrito. Enquanto isto não for uma realidade a unica alternativa será o confronto pela força, com tudo o que isso implica. Não devia ser suficiente, para os cérebros mais arrojados, o repetir da história, este facto representa um absoluto falhanço civilizacional.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s