Problemas que se agigantam

Vi como vós agora no Telejornal da RTP 1 a entrevista um senhor de 62 anos, com lágrimas, que perdeu a poupança de uma vida, 50 mil contos, creio, no Banif. A história tem um lado complicado, sobre a qual não sei o que pensar, e tem outro simples. O lado complicado, creio, é este: um trabalhador, agora reformado, juntou, em 4 décadas de trabalho, uma poupança. Chamaram-no do banco, onde existe a lei do vende-se, não interessa o quê, a quem, como, e venderam-lhe um juro de 4% em títulos – um tipo de obrigações que ele não conseguiu sequer pronunciar sem ajuda de um papel – em vez de 0,5% num depósito seguro. A ganância, que existe, fê-lo mudar do depósito para as obrigações subordinadas. Ganância? Sim, e ignorância, iliteracia financeira (estamos, diz um estudo sobre literacia económica da nossa população, publicado esta semana, ao lado do Burkina-Faso, um país com 80% da população ligada à agricultura…), sugestão do sector de vendas (não sabemos o que disse e não há responsabilidade criminal sobre o «erro bancário» – fosse isto num hospital ou escola e tinha caído o Carmo e a Trindade), publicidade, de tudo um pouco – há muitos culpados. Pela letra da lei ele não tem direito a nada. Mas a todos nós nos custa dizer a alguém, que cometeu um erro, num dia, numa vida de trabalho de 40 décadas, que vai perder tudo.

Também nos custa dizer que esse valor deve passar a ser um custo nosso. Estamos perante problemas que nunca deveriam ter sido criados porque agora são quase impossíveis de resolver – a Banca tem que ser toda pública, publicamente controlada (e não regulada por um demissionário governador público-privado, que serve de outsourcing da responsabilidade do Governo, o primeiro culpado). Enquanto se adia o conflito decorrente da expropriação da banca criam-se milhares de problemas que vão sendo cada vez maiores. Agora a parte simples: o Estado não actua como garante da dívida de 250 mil euros deste nosso conterrâneo, já vimos que seria complexo se o fizesse, então porque António Costa colocou o Estado a actuar como garante da dívida do Banco Santander-Totta num valor de mais de 700 milhões? Não deveria estar a chorar na TV, hoje, o conselho de administração do Banco Santander? E nós a assistir do sofá e a pensar «estes piegas…».

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