Liberdade, Igualdade e Intimidade

A Casa dos Segredos e afins são um espectáculo de decomposição moral que confunde dois valores antagónicos – amar e vender o amar. Vivemos num modo de acumulação que privatiza aquilo que devia ser público e publicita aquilo que devia ser privado. Assim, a privacidade e a intimidade – uma conquista que para a maioria das pessoas é recente, tem décadas – é hoje inexistente. As mulheres não tinham privacidade porque não tinham liberdade e, nas classes pobres urbanas marido e mulher dormiam frequentemente com os filhos no mesmo quarto – contínua a ser assim em muitos países do mundo. A exposição pública da intimidade é um retrocesso, embora tenha tido como efeito, aqui em debate no caso da homossexualidade, um combate ao marialvismo e atraso de uma sociedade homofóbica. Também ajudou a combater o machismo e o fanatismo religioso. Mas a vara esticou demais, não em direitos (que as opressões, menos esmagadores é certo, mas permanecem). Mas em perda de um outro direito – o direito a sabermos proteger as nossas relações amorosas, o direito a ter valores que não se compram nem vendem. Da castração bolorenta da ditadura a hoje passaram apenas 40 anos, um segundo no tempo da humanidade, mas Liberdade, Igualdade e Intimidade é hoje um grito revolucionário.

Debate no Último Apaga a Luz, 23 horas todas as sextas-feiras na RTP 3.

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