Costa, obrigada, mas falta quase tudo

Um velho amigo do meu pai, um clássico dos anos 70, que, recordo-me bem, às vezes aparecia em nossa casa, sem se manter em pé, pelas 4 da manhã (na manhã seguinte voltava a ser um engenheiro impecavelmente vestido que me dizia «bom dia Raquelinha» com voz rouca mas carinhosa), uma vez foi roubado, numa dessas bebedeiras (tão chatas que o meu irmão, mais velho, me dizia «Raquel chiu…finge que não estamos cá»), dizia eu, foi roubado numa dessas bebedeiras em que não tinha chegado a nossa casa ou à de outro amigo mas adormecido no carro, de porta aberta. Tinha um cargo de responsabilidade numa empresa e não podia ficar sem documentos, todo o trabalho ficava semi parado. Procurou, procurou e descobriu o ladrão, ele era de Setúbal, a família toda era da cidade, e em poucas horas numa terra mais pequena conseguiu então, final dos anos 80, saber quem era. Fez as contas e percebeu que era mais barato comprar os documentos ao ladrão do que passar vários dias em repartições públicas a fazer novas vias. E – a história é verídica! -, comprou então ao ladrão os documentos de volta. Sei que há esperança no actual governo, não partilho dela com o entusiasmo de muitos, mas independemente disso devem os meus amigos reconhecer que depois de uma queda entre salário directo, impostos e Estado Social que se aproxima dos 40% da massa salarial devolver uns euros é bom, tão bom quanto ter os documentos de volta porque pior mesmo era ter que os tirar de novo.

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