Ferroviários

Há uma marosca nos pagamentos neste país. Os ferroviários não têm qualquer tipo de «regalias» e não são os únicos que viram o salário espartilhado em diversas formas criativas de pagamento. Ter bilhetes “gratuitos”, subsídio de km extra (horas extra), ajudas de custo (fim de semana, noite etc.) e outros é considerado, nas contas públicas, por salário pago em espécie ou outras formas de salário indirecto – não há nada de gratuito aqui, é trabalho pago, mas de outra forma que não em dinheiro. É um erro jornalístico sério insistir em algo que o Sistema Europeu de Contas esclarece de forma inequívoca. O que se passa é que com o código laboral de 2003 só o salário base passou a ser considerado rendimento, também se dá o caso de que em Portugal as estruturas sindicais não conseguiram/souberam reagir aos cortes salariais e aceitaram que em vez de aumentos anexados ao custo de vida se dessem antes estes tipo de remunerações, que permitem às empresas diminuir quer o valor das pensões, em parte, quer das indemnizações por despedimento. Outra forma de reduzir os salários reais base foi pagar mais horas extraordinárias, não contratando novos trabalhadores, de tal forma que hoje muitos trabalhadores ganham salários bases iníquos e não conseguem ter uma vida decente se não fizeram mais 20 horas semanais de trabalho, o que, evidentemente, lhes retira também a possibilidade de ter uma vida decente.
Minha intervenção sobre o tema no nosso programa de debate semanal à sexta da RTP3.
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