A crise

 

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Evolução da taxa de lucro nas maiores corporações mundiais, olhem para este gráfico do excelente economista Michael Roberts. A queda dramática de 2008 – e a recuperação estrondosa a partir de 2009 com a queda da massa salarial directa e indirecta – e o caminho virtiginoso de uma nova crise. A nova crise que virá, para quem vive de salário, não tem qualquer problema. Implica queda até dos preços, portanto as casas ficariam mais baratas e os bens de consumo em geral. A «saída da crise», isto é, desempregar pessoas, cortar salários e Estado Social para repor estas taxas, é que pode ser dramática para os assalariados porque no modo de acumulação em que vivemos a unidade nacional é impossível e os recursos de produção finitos – quando uns entram em crise os outros saem – esse é o grande centro nevrálgico da luta política.

«Onde o processo de reprodução se estanca e o processo de trabalho se restringe ou, em parte, se detém, destrói-se um capital efetivo. O maquinário que não se emprega não é capital. O trabalho que não se explora equivale a uma produção perdida. As matérias primas que ficam inúteis não são capital. Os valores de uso (assim como o maquinário recém-construído) que não são empregados ou que ficam por terminar, as mercadorias que apodrecem nos armazéns: tudo isso é destruição de capital. Tudo isso se traduz em um estancamento do processo de reprodução e no fato de que os meios de produção não entram em jogo com este caráter. Tanto seu valor de uso como seu valor de troca se perdem, portanto.
“Em segundo lugar, existe destruição de capital nas crises, pela depreciação de massas de valor, que as impede de voltar a se renovar mais tarde, na mesma escala, seu processo de reprodução como capital. É a queda ruinosa dos preços das mercadorias.
Não se destrói valores de uso. O que perdem alguns, ganham outros. Mas,
consideradas como massa de valor que atuam como capitais, vêem-se impossibilitadas».

MARX, Karl. Teoria sobre a mais-valia. In: COGGIOLA, Osvaldo (ed.). Karl Marx: as Crises Econômicas do
Capitalismo. São Paulo, Edições Populares – CHED, 1982, pp. 8-14.
Osvaldo Coggiola​

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