A Bebedeira

«Porém, se acho que devemos beber um copo (ou vários) para festejar a evicção da direita do governo, convém não bebermos demasiado a celebrar o governo «de esquerda». É fácil passar da celebração de uma coisa à bebedeira por causa da outra, e acho que é o que está e vai acontecer à maioria do povo, do meu lado da vida, nos tempos mais próximos.
Já se sabe que não adianta fazer discursos para um bêbado: o gajo não vai ouvir, e se ouvir não vai perceber patavina.
Porém, na mais alegre companhia convém que haja alguém que se mantenha sóbrio. É chato, mas o gajo sóbrio é aquele em que eu vou confiar para me levar para casa.
Ora, por mais que seja óptimo vermos a reversão da privatização da TAP ou das empresas de transportes de Lisboa e Porto, o 5 de Outubro voltar a ser feriado, um aumento, ainda que pequeno, do salário mínimo e das pensões e mais algumas medidas que constam do programa aprovado por PS, PCP e BE, todos sabemos que sem romper com a canga da «dívida pública» e da obediência aos tratados da UE, não há possibilidade real de ter uma política alternativa. Se continuarmos a pagar 8 mil milhões de euros de juros por ano para salvar bancos e outros especuladores financeiros – e ainda assim a dívida continua a subir – continuaremos submetidos àquilo que na Idade Média era um instrumento fundamental para expropriar os camponeses e entregar toda a terra à nobreza: a servidão por dívidas.
Temo que daqui a uns tempos, mais cedo que tarde, estaremos confrontados com medidas do «governo de esquerda» que farão passar a bebedeira.» Por António Simões do Paço

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