Empreendedorismo Político

Passei o dia a fazer surf com os meus filhos. Apanhei 1 onda e tentei subir para a prancha 40 vezes, pelo menos. Caí 39 ou mais, perante o carinho deles «vai mãe!». Dormi 2 horas de tarde no sofá 3 segundos depois de colocar um policial na TV. Quando recuperei fui ler o programa do PS, 138 páginas. Leiam, está aqui o PDF, nada como os nossos olhos verem.

A parte que diz respeito ao emprego é um programa liberal – liberal repito – com ligeiro aumento do assistencialismo social: não há, com excepção do aumento do minimíssimo salário mínimo e do fim da mobilidade na função pública e um decréscimo nos impostos das camadas muito pobres, nada de concreto, nada, zero, em matéria de criação de emprego (número de vagas ou contratações), mas há uma vasta parte sobre crédito e benefícios fiscais ao empreendedorismo, o Estado a financiar os salários privados das empresas que sejam  baixos, os estímulos à redução de salário ou pensões com redução de horário de trabalho (exactamente o inverso do que se devia fazer!, e que o PS foi buscar ao ministro de Merkel com os mini jobs) e, claro, a tendencial aposta – que já vinha em Mário Centeno – de retirar dos tribunais as disputas laborais para as resolver – sempre sobre pressão que recai sobre o trabalhador – no seio da empresa. Páginas 4 a 14.

Bem sei que como diz o António Simões Do Paço​ há uma bebedeira com o «governo de esquerda» que em breve será uma ressaca dura com um governo de centro – falar agora sobre isto dizendo a verdade é tão útil como falar com um bêbado. Mas em nome da popularidade ou consenso mentir não me ficaria bem, nem a ninguém. O PCP e o BE resolveram apoiar isto, é lamentável, mas apoiam-se na elevada expectativa de uma parte da população do país que está exausta do governo de direita mas que não quer fazer nenhum tipo de mobilização social que garantiria reformas reais – lapidar é que a CGTP chame uma manifestação não para exigir reformas politicas mas para apoiar este governo e que seja às 3 da tarde de terça-feira, quando as pessoas com trabalhos normais regulares – que não são delegados sindicais – estão a trabalhar. No fundo temos uma parte do país que quer aprender a levantar-se sem cair, sem lutar, sem enfrentar as ondas do mar e uma esquerda parlamentar que só vê os resultados eleitorais dos próximos ciclos (que vão ser bons) e confia nas ilusões e cansaços da população exaurida, e que contínua sem uma visão estratégica alternativa para o país. Um dia a onda vem e ninguém saberá pôr-se de pé.

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