Shipbuilding and Ship Repair Workers around the World

http://press.uchicago.edu/ucp/books/book/distributed/S/bo23454408.html

Está no prelo o livro do estudo mundial do trabalho na indústria naval, que coordenei ao longo destes 5 anos. São agora quase 800 páginas, da Argentina à Coreia do Sul, de Bergen à Lisnave, de Niteroi à Índia que comparam a evolução do trabalho e dos conflitos sociais, do sindicalismo e da segurança e bem estar no trabalho, da cultura e memória dentro dos estaleitos navais no mundo, da Segunda Guerra aos dias de hoje. É um trabalho que não estuda só o trabalho como actividade mas a organização política deste sector dos trabalhadores. O estudo envolveu 40 investigadores que trabalharam nele de forma gratuita – trata-se de um projecto que nunca coseguiu financiamento geral junto das instituições de pesquisa porque estas não financiam estudos do trabalho – a questão mais central das nossas sociedades -, e, quando o financiam, financiam cada vez mais e só estudos quantitativos (para bases de dados, que hoje retêm nas empresas de informática uma parte grande do financiamento) ou estudos empresariais, onde o trabalhador aparece como um não-sujeito histórico e o trabalho não como uma relação social com epicentro num conflito, latente ou presente, mas como uma entidade natural onde o «colaborador» agradece o emprego que lhe foi «dado» e quando faz greve com plenários de base e votação de braço no ar é classificado de «selvagem». Eis o estudo, terminado. Mais de 30 países, quase 40 estaleiros navais de todo o mundo. Ficará em acesso livre na forma de ebook a partir de Março do ano que vem. Sem estes estudos não teria jamais compreendido, por exemplo, as alterações da restruturação produtiva e do trabalho precário que me permitiram situar as origens históricas da precariedade na Europa na primeira metade dos anos 80 e não depois da queda do Muro de Berlim. Muitos outros, dos que se envolveram no projecto, a partir destes trabalhos fizeram propostas teóricas que estão em curso e nos abrem novos horizontes. A todos os «operários» deste livro, os historiadores, os economistas, sociólogos, antropólogos, dos 20 aos 70 anos, de doutorandos a directores de instituições, que o fizeram, aqui fica o meu obrigada. É de longe o projecto mais ambicioso que coordenei, e a medida do seu sucesso é termos chegado ao fim e ter sido realizado colectivamente, em todas as suas fases. O livro é uma co-edição minha, de Marcel ven der Linden, fundador da história global do trabalho, e de Hugh Murphy, editor International Journal of the Society of Nautical Research. O trabalho é de todos os que nele estiveram envolvidos, numa comunidade académica que começou para muitos como simples desconhecidos, em Gijón, nas Astúrias e terminou com grandes amizades, descobertas comuns e prosseguirá o seu caminho. Obrigada também a todos os que aqui na Lisnave e Setenave tanto me ajudaram ao longo destes anos. Naturalmente agradeço a António Simões Do Paço, pelo saber, as ideias e críticas que me foi fazendo ao longo destes anos. A edição é da Amsterdam/Chicago University Press.

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