Ideal

O mais belo e acolher cinema em que passei na vida foi em Armação de Búzios, uma estância rica do Brasil, onde se espera águas transparentes e se desesperam luzes de néon, pensamos nós – precipitadamente – que é assim, e chama-se Bardot, em homenagem à Brigitte Bardot. É pequeno, mais pequeno do que era o nosso King. Não há anúncios gritantes na abertura, quase todos os espectadores se cumprimentam à chegada, e comentam o filme à saída – sem se conhecerem. A entrada é um bar de jazz, passa smoothhhh…, com não mais de meia dúzia de lugares, todos em confortáveis mesas de madeira e mármore que se abrem sobre a calçada de pedra, aos transeuntes e a 50 metros do mar, que envia na maré mais baixa um doce aroma de sal. Tem também Illy, o melhor café, aquele que o cheiro já acalma os mais obsessivos cafeínómanos, onde me incluo. Foi lá que vi Jimmy Hall do meu mais admirado realizador vivo, Sir Ken Loach. Quem diria? que o lugar de Bardot passava Jimmy Hall, o melhor partido político jamais inventado? Um clube de dança, pintura, lugares de amores, onde se debatia a propriedade? Temos algo próximo disso, ainda assim (muito) longe, em Lisboa. O Cinema IDEAL, cuidem dele, porque se não passarem por lá um dia podemos ficar sem escolha.

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