O acessório e o essencial

Uma reportagem preparada, editada, pensada, reduziu um dos maiores físicos destes país, especialista num dos temas mais graves e desafiantes da ciência – o “melhoramento do cérebro”- em que por via da cirurgia e da medicação se altera qualitativamente o comportamento dos seres humanos “a um velhinho de 70 anos que vai para o Parlamento”. No meio um jornalista em directo desconcentrado trocou “ele por ela” – pediu desculpas publicamente, a quem está convencido que ele o fez de propósito. Na mesma reportagem reduziu-se uma resistente à ditadura, responsável por ter ajudado a salvar da tortura várias pessoas, pondo a vida própria em risco, “a uma velhinha que não sabe como vai mudar do Porto para Lisboa”. Ninguém se indignou com duas pessoas com um contributo maior para a sociedade terem sido reduzidas a dois “velhinhos”.
Continuamos a viver num país onde o que interessa não é o bebé morto por um cão, é salvar o futuro do cão. Temos um longo caminho a percorrer, não só contra o marialvismo homofóbico, temos também que derrotar toda uma cultura pós-moderna, persecutória, doentia, que com uma capa de liberalismo vai introduzindo o domínio do acessório sobre o essencial

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