E se?

Não sei se há terroristas no meio dos refugiados. Sei que entre os terroristas do califado há milhares de europeus que para lá foram em busca de desonra. Sei também que o terror da política externa dos nossos governos agora é visível. Nunca distingui terror – branco ou negro, de Estado, fardado ou à civil, o terror para espalhar a democracia com Sadam enforcado a passar nas Tvs é-me igual na repulsa ao terror das decapitações do califado que tomou conta daquela região do mundo. Desligo a TV. Não suporto. Lembro-me da manifestação contra a guerra do Iraque, foi um belo dia, na minha família fomos todos, todos mesmo – acabámos na casa do Alberto num grande piquenique na relva, eramos muitos, entusiasmados com aquela que tinha sido a maior manifestação pública de sempre da história da humanidade – Londres, Madrid, Paris. Parecia que todos tinham saído à rua naquele dia. Mas era preciso mais. Era preciso que os grandes sindicatos europeus tivessem parado a produção para assim deixar claro às empresas ocidentais e aos seus obedientes governos que iam perder mais dinheiro fazendo a guerra do que aceitando a paz. A guerra tinha que lhes custar em vez de dar lucro. A pressão da paragem da produção continua a ser a derradeira arma contra a barbárie. Os dias de salários que iamos perder então, os conflitos com os fura greves, a pressão da comunicação social, teriam sido irrelevantes ao pé da tragédia que hoje temos pela frente.

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3 thoughts on “E se?

  1. Bom dia Doutora O motto de Bertoldt Brecht na sua peça A Mãe Coragem E Os Seus Filhos “a guerra não ensina nada às pessoas” não evita que a guerra seja uma personagem maior na vida de todos nós. Tal como os protagonistas institucionais do seu texo, Mãe Coragem está determinada em fazer dinheiro e proteger os filhos da violência. No entanto, acaba sozinha e sem dinheiro mesmo antes de a guerra terminar. É impossível – aprendemos na peça – dissociar da guerra a imagem de uma aventura sem sentido na qual não há vencedores nem heróis. Aproveitemos para relembrar esta peça extraordinária anti-guerra passada no século XVII, escrita no XX, por um exilado alemão fugido do nazismo. Um abraço António

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