Ontem coloquei aqui os números reais da falência das start ups – 97%. Dívidas, dívidas e mais dívidas – é o que têm os empreendedores neste país. A ideologia de quem despede 1 milhão e meio de pessoas, asfixia com impostos as pequenas empresas e depois as manda fazer uma empresa para se endividarem à Banca. É isso o empreendedorismo. A maioria das pessoas reagiu contando a sua história e dando exemplos de como foram asfixiados por ter caído nesse conto do vigário, que as TVs insistem em passar como medida contra o desemprego.
Mas dois ou três empreendedores, donos de empresas, que me dei ao trabalho de verificar que são empresas de formação profissional ou economia social que vivem de financiamentos públicos e especializadas em colocar estagiários não remunerados ou pagos pelos fundos públicos portugueses ou europeus em empresas privadas, contribuindo assim para a maior pressão e queda sobre os salários, vieram indignados dizer que o empreendedorismo é fruto de uma sociedade livre, onde se pode escolher. Já o pleno emprego seria o inverso. Vou ser didáctica, evitando o mais possível o sarcasmo com a ideia de que vivemos numa “sociedade livre”, já que colocar 1 milhão de pessoas e meio no desemprego, 2 milhões no terror da precariedade e 400 mil no exílio, na imigração forçada não é propriamente um campo de flores sem arame farpado. É a definição mais próxima de prisão em que tivemos a força de trabalho nas últimas 4 décadas – uns forçados à real perda de cidadania e família na imigração; 1 milhão e meio presos em casa, apresentando-se para termo de identidade e residência de 15 em 15 dias no centro de emprego e 2 milhões de precários que vivem aterrorizados de perder o emprego. Livre de deixar falir o restaurante com 23% de IVA e perder o negócio de uma vida; livre de não atender um doente porque o médico tem 15 minutos vigiados para o fazer; livre, como os agricultores do oeste ou os lavradores do Douro, de vender ao Continente ou a uma casa exportadora de vinhos uva e alfaces a preços de custo ou abaixo deste.
Se há coisa que este Governo, e os anteriores, fizeram, foi fazer do viver-do-trabalho um drama – em Portugal quem vive-do-trabalho não vive, é espoliado pelos cortes para transferir para quem vive destas empresas de sucesso, sucesso à conta do Estado – privadas sim, mas com dinheiros públicos. O nosso dinheiro é a festa destes parasitas, cujo a ideia inovadora foi dedicarem-se a preencher papeis 14 horas por dia para ganhar concursos em que gerem estes dinheiros públicos – o que é isto perto de um médico, de um motorista de transportes, de um cientista, de um professor…
Não é fácil gerir, nem nunca será em nenhum modo de produção, uma força de trabalho. Como as pessoas trabalham bem é uma grande pergunta cujas respostas nos devem mover – uma sociedade deve produzir bem e saber como fazê-lo é uma arte, que a pouco e pouco vamos desvendando. Mas o pleno emprego, não só como direito à vida – e esse é inquestionável – , mas como produção correcta da riqueza é, até hoje, o melhor sistema desde logo porque é o mais justo – todos devem contribuir para a produção da sociedade e todos devem poder viver do trabalho sem esmolas; também porque as boas condições laborais aumentam a produtividade; e, não menos importante, porque é o modelo mais produtivo e com mais escolha – no pleno emprego, com leis correctas, há escolha, as pessoas podem mudar de um trabalho para outro, ou ser forçadas a mudar com limites bem definidos, para onde são melhores e/ou mais felizes, em vez de fazerem cada vez mais desmoralizadas e com menos produtividade o que fazem porque têm medo de não ter outro emprego.
Liberdade de escolha, neste Estado fiscal totalitário, com 47% de pobreza e os sectores médios asfixiados, é conceito que por pudor devem os empreendedores abster-se de usar porque nós, os defensores do pleno emprego, damos lições sobre liberdade de olhos fechados aos parasitismo e rentismo privado de dinheiros públicos, rentismo que é cada vez mais sinónimo da palavra Estado.
O parasitismo privado Estatal
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