Organizem-se! Organizem-se! E não deixem!

7 anos certos – o ciclo industrial, a nova crise cíclica. Disse-o pelo menos 20 vezes na TV e outras tantas em artigos este ano, disse-o ao lado de quem, a maioria dos comentadores, falava de crescimento do PIB, como se isso medisse a riqueza ou a estabilidade da produção. Mas foi na base da mitologia do “estamos a sair da crise” que o Governo disse que vai tudo melhorar, o PS disse que vai criar emprego e a oposição de esquerda mantém a defesa da negociação e não do confronto político de base – a ponte que a CGTP nunca passou foi um tractor sobre os salários; a falta de reacção dos pequenos empresários esmagou as duas cidades maiores do país, transformadas em parques de diversões de turistas, que a nova crise vai tirar daqui mais rápido do que colocou. É assim um país que vive de hostels e não de educação para formar médicos e saúde; vive de estradas e não de ciência pública; vive de desemprego e remuneração de títulos e não de produção de bens e riqueza colectiva. Disse que ia acontecer entre o último semestre de 2015 e o 1º de 2016, deixei-o, com essas datas, escrito em livro. Ei-la, com todos os tormentos, desafios e também oportunidades para reagir socialmente à barbárie. Não sou cartomante, não é esse o meu dom, é outro, tive a coragem de escolher estar ao lado dos mais corajosos, que se recusaram a ler os manuais de gestão MBA altamente bem classificados das nossas melhores universidades – não sobra pedra sobre pedra dessa ideologia de Estado oficial, o liberalismo – , as barbaridades deterministas da URSS, as fantasias keynesianas que a esquerda abraça. Fiquei ao lado, aprendi, estudei, sou grata, aos que estudaram há décadas o funcionamento da economia pelo Capital de Marx e toda a tradição livre, herética, do marxismo critico, não amarrado a nenhum Estado – ei-lo, de novo, em páginas abertas, na experiência dolorosa dos cataclismas sociais. Desta vez, e da outra, e da outra antes e da outra antes dessa – 2008, 2001… há 200 anos que andamos a dizer que a queda tendencial da taxa de lucro é a lei da gravidade da economia. E a crise não é problema algum para quem como nós não detém titulos. As medidas para sair da crise são um drama porém: cortar salários, reformas, destruir o Estado Social para remunerar estes capitais é que é o problema – e aí a questão passa de objectivamente económica a politica. É a economia política e a teoria das revoluções sociais. Nem por acaso hoje estarei na abertura de uma conferência internacional na UFF, no Rio de Janeiro, onde o tema é este, crises e insurreições. Organizem-se!Organizem-se! Organizem-se! dizia o discurso famoso de um líder cartista, os pais da democracia na Inglaterra do século XIX. Porque vem aí um tsunami de sabotagem da produção, dos que hoje perderam nas bolsas milhões, e usando o seu Estado vão pela dívida ou destruição dos serviços públicos elevar o desemprego para cortar na massa salarial. Será, se deixarmos, a “saída da crise”. Organizem-se! Organizem-se! E não deixem!

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3 thoughts on “Organizem-se! Organizem-se! E não deixem!

  1. Bom dia Sra Doutora O apelo à organização seduz naquilo que contém a memória de outros tempos em que a confiança, curiosidade, generosidade e bondade serviram para unir as pessoas conhecidas, amigas e até estranhas que, nesses dias livres, juntas tomaram nas suas mãos – como a sra Doutora bem sabe e diz – o seu futuro. Hoje olho à minha volta e só encontro gente falsa, de plástico, corrompida e alienada. O politicamente correcto, o consumismo, a standardização da ignorância e do entretenimento, a miragem da ascensão social foram criando um exército de sem-vontades cuja organização obedece à lógica do rebanho. Reconheço toda a pertinência do seu apelo mobilizador. Eu vou tentar fazer o meu melhor. Obrigado pela sua “voz” tão inspiradora, inteligente, combativa e sedutora. Sinto me honrado por receber os seus mails, até porque eu conheci a sra Doutora casualmente na Internet – não vejo televisão desde o início do século XXI – e foi “paixão” à primeira vista – se me permite afirmá-lo. Agora, desde os livros até ao site, já tenho pistas suficientes para me manter em contacto. Um grande abraço Até sempre António

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