Quando os meus filhos tinham 4 anos, educados sem televisão, com 4 a 6 horas por dia de brincar na rua, a educadora chamou-me a disse-me que eles não tinham «motricidade fina». Eu nem sabia o que era mas deduzi. Expliquei-lhe que eles, que hoje são excelentes alunos, além disso trompetistas, não tinham que ter «motricidade fina» mas «motricidade robusta, se é que existe». Com 4 anos tinham que saber pular, correr sem cair, nadar, subir árvores com cuidado e sobretudo saber brincar com os outros, construir relações humanas, e como mamiferos que eram, precisavam para tal de algo chamado «brincadeira não enquadrada por um adulto», ócio, tédio, tédio! Sem tédio não há progresso! – disse-lhe. Tive uma educadora que sugeriu ainda ritalina para um deles, uma vez que ela tinha 20 na sala de aula, trabalhava exausta e o colégio por causa da especulação imobiliária tinha um espaço verde exiguo. Sugeri-lhe que ela tomasse antes um calmante, em vez de os dar às crianças ou os tirasse da escola para o parque, assim ninguém precisava de drogas e todos ouviam os passarinhos. Estou há 10 anos a tentar arranjar espaço livre para os meus filhos num estado de guerra social com horários de trabalho e escola que são armas apontadas à cabeça, mas decidi que eles não iam pagar pela incapacidade dos adultos resolverem problemas. Há muito que a estupidez atingiu o horário das crianças que deveriam estar na escola 5 ou 6 horas por dia com professores cientificamente altamente bem formados, turmas pequenas e que em 5 horas, pelo saber, podem ensinar tudo e ainda mais, em vez de 8 horas, com intervalos de 5 minutos e mais 3 ou 4 de uma qualquer «academia» onde estão fechados. Se isto é grave para as meninas para os rapazes é uma tragédia, deviam estar horas a pular e estão permanentemente fechados, num universo semi-concentracionário. Quando rebentam o que se faz? Ritalina…
A criatividade, a iniciativa, as ideias, nascem também de muito tempo livre a brincar – não é brincar numa sala de aula a pintar, é correr e inventar com os amigos parvoices. Obesidade, hiperactividade, falta de relações humanas, taxas de depressão, que coisa andamos a fazer às nossas crianças? Ninguém pára estes lunáticos que querem crianças fechadas numa gaiola 10 horas por dia seguidas de mais 4 num apartamento a ver televisão? Não sei se a CONFAP com esta ideia de escola no verão representa todos os pais do país, estou cansada de ver pais que deixam horas os miúdos a jogar computador e TV porque os «miúdos gostam», mas se for fica aqui o meu voto – podem todos os pais deste país votar que há escola no verão que eu serei contra, sozinha, defendendo o óbvio – o direito a não estar preso.
Finalmente, uma voz lúcida! Com certeza, mas que geração estamos nós a criar! ? Falta muito bom senso!
Pois, a Ritalina remédio para encobrir incompetências….
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Aprecio imenso as suas opiniões, pois tem ”carradas” de razão e não compreendo as falhas dos pais deste país. Seguem a ”Biblia” do trabalahar, trabalhar é que é importante-
Contem com o meu voto, pois a liberdade das crianças hoje, será a “nossa” felicidade, a nossa estabilidade amanhã.
Nota: ritalina só pode ser prescrita por um pedo psiquiatra, é uma droga que serve para doenças a sério. É uma anfetamina… Que se proíbe nos adultos, mas ajuda a concentração.
Nota: ritalina só pode ser prescrita por um pedo psiquiatra, é uma droga que serve para doenças a sério. É uma anfetamina… Que se proíbe nos adultos, mas ajuda a concentração.
Ele há motricidade fina e motricidade grossa. Tem a ver com a pegas dos dedos. Na motricidade fina apanha-se bagos de arroz, escreve-se etc. Na motricidade grossa apanha-se a caneta com a mão toda, por exemplo, o que e normal nos bebés.
E, agora, em Fevereiro de 16, voltou esta ideia peregrina…
Excelente artigo e é verdade. Aliás como Pai já me tinha apercebido dessa situação e sou da opinião que a solução passa por cada um de nós na medida que temos de ser nós os pais e mães, dia a dia, tentar combater as “caraminholas” que existem nas nossas cabeças quando o tema é Liberdade para as nossas crianças, isto é um grande desafio
Sou completamente a favor do que foi dito….mas quem fica com os nossos filhos quando temos de trabalhar? Pode receber os meus filhos em sua casa Raquel?….A mudança tem de ser nas escolas, pois se os pais têm de trabalhar para pagar uma casa onde possam por os filhos a dormir, alguém tem de ficar com eles e oferecer-lhes qualidade de “brincadeira”. Existem pais que trabalham em Lisboa têm de sair as 7h de casa e chegam ás 19h da noite….porque querem? Infelizmente isso acontece! O que precisamos é de ajuda, bons espaços onde podemos deixar as nossas crianças que amamos. Parem de culpar os pais.
Finalmente leio/ouço algo com o qual me revejo neste tema. As crianças têm que brincar e ser respeitadas.
A questão resume-se com alguma simplicidade:
– em alguns casos (só alguns), poderemos culpar o ritmo de vida da sociedade desumanizadora (acho que é a palavra da moda…) que priva os pais do tempo necessário para os filhos;
– os pais não querem aturar os filhos que fizeram (larga maioria dos casos);
– a CONFAP e suas congéneres parece que representam a maioria dos pais;
– o ME vive para agradar aos pais e seus representantes.
Conclusão: vamos ter professores esgotados e crianças torturadas mais tempo dentro das paredes da escola.
A escola é tão tão má…mas alguns pais conseguem ver isso… Alguns uns anos atrás estava a ser debatido em assembleia a hipótese de seguir um modelo que já é praticado em alguns países penso que a Filandia é um deles e que é o seguinte : A cada criança esta destinado pelo estado um valor x que a acompanha na sua livre escolha de escola ou método de ensino.
Ficaria resolvido o problema! E as escolas preocupar-se-iam em prestar um serviço de qualidade a ser avaliado pelos E. Educação que representam as crianças.