Sem Tino

Bem sei que vós não quereis saber da minha profunda reflexão sobre o assunto mas mesmo assim confesso, a propósito da campanha progressista estilo movimento pró-vida contra comer caracóis e matar traças, que já fiz 100 km para comer perdiz frita em banha de porco preto; desvio-me da autoestrada até Pinhão para comer costela com feijoca; não resisto a uma posta mirandesa; já fui ao Tua só para comer peixe fresco frito do rio no Calça Curta; já apanhei polvos, de camaroeiro e armadilha, e fiz com eles um arroz de pimentos que faria sorrir a rainha de Inglaterra; como caracóis, se tiverem muitos oregãos e um vinho branco gelado e muitos amigos à volta a dizer parvoíces; mato traças e melgas, batendo sonoras palmas. E tenho a minha quota diária de ouvir pessoas sem noção, sem bom senso, sem razão, sem tino já preenchidissima – transbordou, não cabe mais nenhum.

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4 thoughts on “Sem Tino

  1. Parabéns, é muito bom saber que como todos nós, tem essas pequenas imperfeições que nos fazem perfeitos para o nosso leito, a sociedade.

  2. Penso que a ligeireza com que relata os seus gostos está intrinsecamente relacionada com o grau de aprovação que sabe que estes têm. Parece-me estranho o facto de não sentir um certo desconforto pela sua condição.

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