Para onde vai Portugal?

Para Onde Vai Portugal

Tenho filhos gémeos, de surpresa maravilhosa vieram os dois juntos, quando me abraçam penso que não falta muito para que me possam levar a dançar, um acordo que fiz com eles – o vosso futuro tira-me o sono, em troca levam-me a dançar. Plantei algumas árvores – sou filha de dois engenheiros florestais. Escrevi muitos livros, mas nunca tinha escrito um ensaio sobre um país, o meu país. Dizem que a vida está completa quando «temos um filho, plantamos uma árvore e escrevemos um livro». Eu acho que a vida é digna – completa não é uma boa palavra – quando deixamos de chorar o passado e enfrentamos, com consciência dos desafios, mas erguidos, o futuro. Dia 5 de Junho estarei na companhia de Coimbra de Matos a pensar convosco esta ideia, o futuro, no fundo aquilo que nos define na nossa humanidade, a projecção esperançosa e realista de mudar o mundo para melhor e com ele nos mudarmos também a nós para melhor, construindo relações de produção de bens e serviços, e de poesia e afectos, mais livres, mais iguais, evitando a vertigem da decadência história que se coloca hoje ao país como se a sociedade não fosse fruto de escolhas históricas mas um desígnio divino. Não tenho naturalmente a farmacopeia da história. Mas uma reflexão conjunta de todos saberá encontrar caminhos, disso não tenho dúvidas, da força das ideias pelas quais sempre valeu a pena lutar. As ideias não têm pernas, elas precisam de gente e de organização, mas a organização colectiva – que partidos, que sindicatos, que gestão, que democracia? – é hoje também das ideias que mais é preciso debater, sobretudo depois da travessia que foi o século XX. Não posso fazer o convite a cada um de vós, mas este convite colectivo é para cada um que queira e possa estar presente, no espaço Bertrand da feira, às 18:30, dia 5. Obrigada a todos.

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3 thoughts on “Para onde vai Portugal?

  1. Utopia, quando estas gentes salazaristas, com uma história sem espinha dorsal, pensar uma futuro diferente, é uma utopia. A não ser que, definhando em número como consequência inevitável do seu próprio ser, sejam contaminados com sangue melhor dos imigrantes, mas seria igualmente utópico considerar um universo de imigrantes com tal peso nesta sociedade. Por isso, vamos nos comendo uns aos outros, e os mais realistas, ou desesperados, continuarão por se salvar através da emigração. Para felicidade destes, rezemos para que sejam assimilados culturalmente e por lá fiquem, nem que sejam os seus filhos.

  2. Estarei – obviamente e com prazer!

    Enviado do meu iPhone

    No dia 28/05/2015, às 11:06, Raquel Varela escreveu:

  3. O seu convite é irrecusável, a forma respeitosa como o fez é de uma inabalável dignidade. Uma sociedade que se quer colectiva onde cada individuo seja ao mesmo tempo o ponto de partida e de chegada é de facto algo pelo qual vale a pena lutar. A impossibilidade de se ser “bom” o suficiente numa relação desigual é uma implicação que deverá estar presente em todos e em cada um de nós.

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