FMI

Há 15 dias estive na Bélgica na Universidade Católica de Louvain. Era uma conferência universitária sobre crise económica. Antes ou a seguir a mim, não me recordo, falou um dos directores da Oxfam na Bélgica, uma ONG que acredita no funcionamento regulado da acumulação capitalista. Não estávamos portanto em Zimmerwald, a fazer uma internacional pela revolução mundial, nem numa tertúlia de românticos. O director falou, falou, falou, e a sala ia ouvindo cada vez mais atónita o rol de políticas do FMI e da UE para os países africanos depois das crises de 82-84. O mesmo está publicado no relatório À Égalité, 153 páginas dos horrores das politicas de recuperação de rentabilidade da monocultura, da pilhagem de recursos e nas mesmas páginas dezenas de propostas de bom senso elementar. Tiro de memória uma das histórias que gelou a assistência – o FMI exigiu a destruição de stocks alimentares no Mali que eram usados quando havia quedas da produção agrícola. Não é muito diferente na forma – no conteúdo é-o porque a pobreza daqueles povos agrários é muito maior do que a portuguesa – de quando o FMI vem hoje a Portugal exigir cortes nos profissionais de saúde. Na forma estamos perante a mesma engenharia económica – destruição de stock força de trabalho, de capacidade produtiva, numa área essencial à produção e reprodução da sociedade, a saúde. De caixão em caixão…

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