Hipermercados

Os hipermercados são dispensáveis. Não são necessários. Destruíram milhares de postos de trabalho; elevaram os preços porque as lojas pagam uma renda altíssima, pioraram a qualidade da comida aí servida devido às rendas cobradas (pagas aos grupos que detém a propriedade do espaço, Amorim, Sonae), são tão altas que a única alternativa é servir ou comida mais cara ou de pior qualidade; uniformizam tudo o que consumimos, empobrecendo culturalmente as regiões – comemos o mesmo de norte a sul do país -; destruiriam o pequeno comércio tornando os bairros mais tristes; em vez de trabalhadores do seu próprio negócio, com alguma autonomia, temos trabalhadores exaustos em trabalhos repetitivos, sem luz natural, com horários de trabalho que os colocam a trabalhar até às 11 da noite; os shoppings aumentaram o uso de transporte individual para se deslocar até lá; arrasam com os pequenos produtores, colocando as promoções nas suas costas. Vivemos num país onde os grandes exemplos de riqueza não são a educação, a ciência, a cura de doenças, as descobertas para trazer mais bem estar à população, mas duas cadeias que nem de produção são, são simples distribuição – para que se compreenda as opções caóticas de gestão da economia que estão em curso. Como diz um Movimento de intelectuais criado aqui na Bélgica, onde estou agora, contra as políticas de cortes, Nós Queremos uma Vida Completamente Diferente – é o nome do movimento. Eu quero uma tasca no meu bairro com peixe fresco, não quero agricultores endividados, e trabalhadores a vender tupperwares às 10 da noite.

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