Greve dos Hipermercados

É normal uma urgência hospitalar estar aberta às 10 da noite, é normal e quem trabalha a essa hora tem que ser muito recompensado, não é normal alguém estar a vender tupperwares, lingerie ou champôs a essa hora. Não é normal e não era normal há 20 anos atrás. Vivi na Alemanha, na Holanda, só no Brasil vi esta ideia surreal de ter um supermercado aberto pela noite dentro, e sempre com trabalhadores a ganharem mal. As sociedades não podem estar presas nas narrativas dominantes, sociedades sem futuro não existem. Este país fez um 1º de Maio há 41 anos que juntou nas ruas 2 milhões de pessoas. Como é possível que 41 anos depois, de andar para a frente, de produzir mais, de ter inventado mais, haja supermercados abertos (vejam: uma coisa são hospitais mas porquê um supermercado aberto?),e os que lá trabalham hoje estão em condições de exaustão, com salários que mal conseguem chegar ao fim do mês e sem perspectivas nenhumas de mudar de vida, melhorar, aprender, mobilidade social?

 

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One thought on “Greve dos Hipermercados

  1. A sociedade não está construída para todos, uns são apenas funcionais, a desistência do pleno emprego é a desistência das pessoas, temos uma sociedade que pensa preservar a vida ou o bem estar mas efectivamente isola, oprime e constrange. Os discursos que ouvimos já não falam desta gente, mas percebo, porque também não consigo vislumbrar dimensão social num objecto. Os instrumentos da democracia são hoje utilizados para conferir legitimidade à desumanização, isto é a subversão que ninguém parece reparar.

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