Barca do Inferno

A Barca do Inferno foi esta semana o programa mais falado, em termos públicos. Porquê? Uma das coisas dominantes de hoje é o total desprezo pelos trabalhadores, que não são vistos como autónomos mas vivem sob a bitola da dura hierarquia que vem de cima. E isso faz com que, por exemplo, de cima cheguem, quer no público quer no privado, por vezes ordens, ideias e opções de grande inutilidade e perda produtiva, para além do evidente crescimento da burocracia – onde não há democracia, há burocracia. Tenho um amigo que diz com humor que tira férias em Setembro porque o chefe vem das férias de Agosto sempre com várias ideias sem sentido mas quando ele regressa em final de Setembro já deu tempo para o chefe perceber que metade delas eram absurdas. A BI é um programa de debate político de mulheres, é um programa onde há visões muito antagónicas para a sociedade – isso não é só bom, é fundamental – porque abre um debate amplo junto e com o público. Os vídeos da BI esta semana tiveram um alcance superior a meio milhão de pessoas e milhares de comentários. E o que tinham esses comentários, muitos deles? Tabelas salariais, história das empresas, razões das mudanças contratuais ao longo dos anos, funcionamento interno, relação entre transportes diversos, formas de organização, segurança e higiene no trabalho, tudo vindo de milhares de trabalhadores, dos escritórios à manutenção, que têm uma opinião sustentada, com dados, e que não são um apêndice nas empresas. Nas secções dedicadas ao trabalho nas páginas dos jornais diários até aos anos 80 há colunas inteiras da secção Trabalho, que é depois abandonada nos anos 90, mantendo-se uma secção Economia, que mais tarde passou em muitos a Negócios. Se ouvissem mais quem trabalha talvez se evitasse os absurdos de um Caderno de Encargos que por exemplo,no caso do Metro, se a empresa for privatizada, a empresas privada passa a ser ressarcida pelo Estado dos dias de greve, ou seja, vai compensar à empresa privada ter os trabalhadores em greve porque não lhes paga o dia de salário e ainda recebe por cima uma compensação por parte do Estado. Só para citar um dos pontos, dezenas deles, que não podem ter qualquer legitimidade social, ainda que legalmente alguém consiga vir a justificar esta barbaridade.

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