A queda dos gestores de topo

Directa e indirectamente a salvação dos activos da Banca (e a nacionalização dos prejuízos) faz sair do Estado qualquer coisa como o equivalente a 28% do PIB, 47 mil milhões de euros (12 mil milhões de recapitalização e 35 mil de garantias). A PT não é um restaurante familiar que foi à falência porque está afogado em impostos e não tem clientes. É um monopólio de facto que, quando foi entregue aos gestores privados – os que são agraciados com cruzes de mérito – valia 10 vezes mais. Dez vezes mais.
A verdadeira comissão de inquérito era os trabalhadores obrigarem a PT e o BES a abrir os livros de contas, e estes serem entregues no Ministério Público, e a polícia judiciária – que tem um Gabinete de Recuperação de Activos – começar a recuperar os activos e devolver uma parte, apenas uma parte, deste esquema, a que assistimos na forma de sketchs humorísticos, só que agora é diariamente no parlamento, com uma comissão que não tem qualquer poder de decisão judicial/criminal. Too Big to Fail, Too Big To Jail? Veja-se: o que se pede é o mínimo – cumprimento da lei e respeito pela população. Abertura das contas, escrutínio público, investigação judicial, consequências criminais.
Não é possível levar duas das maiores empresas do país à falência e ao desmantelamento e o resultado ser sessões diárias para a TV, no Parlamento, a explicar “não sei”, “não me lembro” e…, bom, a vida contínua, com o salário e as reformas e o Estado Social a carregarem estas cruzes. Se no fim disto tudo ainda alguém acha as altas taxas de abstenção incompreensíveis é porque não tem assistido aos filmes destas comissões com atenção. Cá em casa já optámos por considerar estes filmes um momento de relax ao final do dia, e os Monty Python um debate político elevado.

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One thought on “A queda dos gestores de topo

  1. Não deixar que o desencanto com a política (e a vida porque está tudo ligado se tivermos essa consciência) tome conta de nós é um exercício difícil nos tempos que correm… e depois vem a indiferença, o encolher dos ombros. Será que já estamos no momento histórico do nosso país em que conseguimos esquecer a máquina partidária do poder pelo poder e eleger candidatos independentes que consigam mudar a face das instituições, para serem de facto de livre acesso para todos de forma responsável e clara? Ontem na procura da sua entrevista na RTP Memória, acabei por começar na entrevista de Maria de Lurdes Pintassilgo e terminar na sua, e a minha memória foi avivada pela minha primeira grande desilusão política a não eleição de Maria de Lurdes Pintassilgo para a Presidência da República em 86 tinha então 19 anos. Como gostava nas próximas legislativas ver o voto maciço dos portugueses nos partidos pequenos, sem medo da mudança, para gerar a verdadeira discussão (debate) de ideias e planos claros para o presente e o futuro, obrigando todos a trabalhar em conjunto com compromissos reais. E já agora nas presidências os portugueses escolheriam um candidato “independente” não vindo do aparelho seguidista partidário, das revistas cor-de-rosa, e que desempenha-se as funções claras e responsáveis de um Presidente da República, na salvaguarda das nossas instituições, da nossa soberania, da nossa cultura, e sem a visão triste, pobre de espírito e egoísta com a sombra constante da “economia” deste últimos anos.
    Bem e termino a dizer que sempre votei, se falhei uma vez ou duas no máximo foi por motivo de força maior, é que sofreram e morreram muitas mulheres e homens a lutarem pelo direito ao voto em todo o mundo, é de uma irresponsabilidade enorme não usarmos essa força de mudança.

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