Euro/marco

Aqueles que têm medo de sair do euro – ou, para sermos mais exactos, acham que adiar esse facto inevitável é menos mau do que sair já (eu sou dos que pensa que quanto mais tarde colapsar o euro, que é inevitável, maior vai ser o problema porque até lá vai-se destruir ainda mais os países do sul), deveriam saber que nós não estamos bem no Euro, estamos num marco não flutuante. Aliás, as nossas notas de euro não são iguais às notas de euro dos outros países, nem as moedas (mas isso é visível a olho nu). O euro permite à Alemanha exportar, com o dobro da nossa produtividade que tem, para países com moedas fracas, seria impossível à Alemanha manter de outra forma a sua politica exportadora. O Euro é um marco alemão, só que é não flutuante. E as notas estão todas numeradas, de tal forma que o que está na nossa mão tem um outro “valor” real. Não vale sequer a pena guardarem as ditas no colchão porque quando o euro rebentar, numa próxima crise cíclica porventura, o que vamos ter é “escudos”, “dracmas”, porque está lá na nota um numerozinho que faz corresponder o papel ao valor real da produtividade de um país baseado numa escolha politica que promove o desemprego, os baixos salários e a concentração de riqueza. A União Europeia tens este nome simpático, a que associamos o fim da autarcia, mas quem defende uma Europa Unida hoje não pode defender nem o Euro nem a União Europeia porque esta união é a mais acirrada competição de povos que existe neste velho continente desde 39. Na verdade a UE está a isolar-nos da Europa a uma velocidade regressiva tão elevada que temos dificuldade em olhar todos os dias o que nos afasta cada vez mais da Europa, com que sonhamos, e ainda bem, viver em paz e em cooperação, livres entre iguais. E é possível fazê-lo, mas terá que ser pelo lado dos povos. Será impossível pela mão do BCE e dos Governos europeus.

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One thought on “Euro/marco

  1. O problema não pode ser resumido ao Euro pois se pergunta-se aos Portugueses se “amanhã” queriam voltar ao Escudo eles diriam que não, eu também o diria (pelo menos em teoria).

    O principal problema reside no facto de a independência económica de Portugal não estar assegurado caso voltássemos ao Escudo pois sectores chave da economia de um País Independente não estão sob controle do Estado enquanto entidade independente de partidos e ao serviço da população, para ser de fácil compreensão seria como se o nosso exército (ou a caricatura do que é) por ter submarinos alemães ou aviões americanos fosse obrigado a participar das guerras destes países quando eles as fizessem.

    Actualmente o que existe em Portugal é a apropriação por empresas estrangeiras e Países estrangeiros de sectores chave da economia sem os quais tudo o resto colapsaria em poucos meses e em 1º lugar é essa a politica que terá de ser revertida rapidamente, além claro da armadilha da divida em que o País continua viciado e que desde há uns meses largos é a ultima forma de propaganda do governo actual.

    Além dessa apropriação de sectores chave da economia (energia, transporte de pessoas e bens, telecomunicações) existe outro problema grave em Portugal que é o Neocomunismo (Oligopólios) praticado por empresas privadas de grande dimensão que não controlam sectores estratégicos, por ex. distribuição alimentar, produção agropecuária, produção extractiva em que pela dimensão dessas empresas os preços ao consumidor final são “tabelados” entre elas e as diferenças são mínimas ou não existem e os factores diferenciadores são descontos em produtos acessórios ao produto principal comercializado, praticado em conjunto com outras grandes empresas de outros sectores que vivem em oligopólio, sendo que esta tendência (formação de oligopólios não acontece só em Portugal e verifica-se desde há muitos anos no contexto do Planeta como por ex. Apple vs Samsung , Coca-Cola vs Pepsi-Cola, as 7 irmãs do Petróleo, Android vs Ios, etc.

    Voltando ao problema de Portugal ele reside nos oligopólios que têm forçosamente de ser postos em sentido através (não de entidades reguladoras de natureza pífia) de concorrência directa por empresas do Estado (CGD) por ex. na banca, PT nas telecomunicaçõe, CTT, ou controle directo de monopólios naturais (energia), transportes de bens e pessoas.

    Se fizermos uma análise a tudo o que foi privatizado de interesse estratégico (Galp, EDP, REN, CTT, PT, ANA), essas empresas nos seus últimos anos de vida foram capitalizadas com dinheiros públicos e depois vendidas e o retorno que geravam perdeu-se assim como o seu papel não disruptivo na economia através do abuso de posição dominante como por ex. se pode verificar com a ANA e os sucessivos aumentos de taxas ( 7 ) desde que foi privatizada.

    Obviamente algumas empresas teriam de ser renacionalizadas (EDP, GALP, REN, ANA) mas noutros sectores (CTT, PT) poder-se-ia criar novas empresas a partir de 0 e como exemplo dou a criação do banco de fomento pelo actual governo que para os mais distraídos será o fim da NOSSA CGD que será privatizada a breve trecho pelo bloco central tal como a água, a saúde e a educação também serão, seja ela directa ou não, pois as concessões a empresas privadas resultam no mesmo, o Estado paga (através dos impostos cobrados) por um serviço que ele próprio poderia realizar com menos custos (económicos e sociais).

    No entanto deixo agora a questão de 1 milhão de Euros !

    Quantos Portugueses estarão dispostos a percorrer estes caminhos sem a meio começarem a pensar mais em si (os trabalhadores dessas empresas renacionalizadas por ex.) do que no bem geral ressalvando que todos os caminhos são difíceis e desengane-se quem pensa que poderá voltar ao passado (Russia em desagregação, China Sub- Desenvolvida tecnologicamente, India “iletrada”) pois o paradigma instalado no mundo inteiro neste momento é uma competição desenfreada por recursos (não só naturais – o conhecimento é neste momento o principal) e a Alemanha ( a nível Europeu ) está tão somente a cuidar dos seus interesses enquanto Nação e não parará pelo menos enquanto lhe for possível, além de que tem muitos seguidores nos Estados mais pequenos (Holanda, Bélgica, Dinamarca, Áustria, Finlândia, etc) que já perceberam o clima de competição que existe. Depois temos sempre os “idiotas” uteis que foram apanhados de calças na mão (França, Itália, Espanha, etc), que confrontados com a realidade decidiram as suas politicas não com base no interesse geral da sua população mas no interesse da alta finança reinante e demais conglomerados (os oligopólios) instalados.

    Quantos Portugueses querem (podem) voltar ás terras, a realizar produção extensiva, ás pescas, ás minas sabendo que estariam somente a produzir não para ganharem dinheiro com exportação mas para comerem, terem uma independência económica mínima no fundo ?

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