Uma Europa sem Medo

Charb, director do Charlie Hebdo, fuzilado hoje num acto bárbaro contra a liberdade, a liberdade política e a liberdade de imprensa, fez este cartoon para o livro “Marx, Manual de Instruções”, escrito pelo filósofo francês Daniel Bensaïd; e este outro acarinhando as politicas do líder trotskista do Novo Partido Anti-Capitalista francês contra a extrema-direita racista. Charb foi durante anos apoiante do PCF e mais recentemente da Frente de Esquerda, em França, e considerava imperioso derrotar de forma radical – indo à raíz dos problemas sociais e geopolíticos – o crescimento do fascismo em França. Era um anticlerical fervoroso, que criticou, ao longo dos anos, o papel do fanatismo religioso, fosse em nome de que Deus fosse. Era um homem livre, democrata, que um dia disse “prefiro morrer de pé a viver de joelhos”. A ele, aos 12 jornalistas e polícias assassinados, a Europa toda deve uma manifestação pública de repúdio pela barbárie, que não se sabe por quem foi cometida. Deve mais do que a manifestação – deve a organização social permanente que garanta que os direitos não são usurpados pela política do medo. Quem quer que tenha sido e em nome do que quer que fosse, em nosso nome não foi, e certamente que não foi em nome de nenhum dos Deuses dos crentes europeus. Foi a bandeira da morte, que Charb disse neste cartoon ser hoje igual em todo o lado, é “a bandeira do dinheiro”, nas suas palavras. Ficará na história ao lado de todos os homens e mulheres sérios com convicções que foram mortos dando a cara por uma Europa igual e livre. E foram mortos porque há milhares que não dão a cara, nem a força social suficiente para proteger quem está na linha da frente. Que esta tragédia sirva para que os europeus deixem de se queixar no sofá e assumam, com organizações sociais, a defesa concreta dos direitos da civilização, é a melhor homenagem que estes homens merecem. Veremos se vão tê-la ou se tudo não passará de mais uma grande manifestação que no fim levará as pessoas de volta a casa, a lamentar-se da força dos extremismos, todos eles, altamente organizados numa sociedade europeia gerida por Governos que têm promovido a competiçao entre povos até ao limite do suportável.

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2 thoughts on “Uma Europa sem Medo

  1. Quantos cidadãos se sentem ou alguma vez se sentiram responsáveis pelas mortes dos “que na linha da frente” lutam pela liberdade?

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