Um político preso pode não ser um preso político

A justiça neste país tem sérios problemas – desde logo de meios. Por exemplo, pode acontecer o Ministério Público estar, ainda hoje, 2 anos à espera de uma perícia informática. 2 anos! Porquê? O orçamento da justiça é inferior ao saco azul do orçamento de Estado para 2015, por exemplo. Tudo isto leva a aberrações como a de ser possível estar preso preventivamente durante 3 anos, que é intolerável numa democracia. Intolerável. Sucedem-se também, e não é de agora, suspeitas de utilização política da justiça que alguém lança sistematicamente cá para fora – ou os visados, ou a justiça ou os jornais, alguém tem que nos esclarecer se têm ou não fundamento porque à mulher de César não basta ser, há que parecer também. Agora, usar Sócrates como exemplo de luta por uma justiça digna, fazendo um cortejo de todos aqueles que, do Magalhães à Parque Escolar, do imobiliário ao futebol, dos cortes do abono de família aos cortes dos salários com os PECs – é que tudo o que é cortado de um lado vai parar a outro -, beneficiaram, legalmente, de uma gestão ruinosa de dinheiros públicos durante o seu Governo, é o mesmo que usar a Madre Teresa de Calcutá como sex symbol. É mais grave, e menos cómico, porque mina a seriedade de uma reivindicação central de qualquer democracia. Sócrates é um político preso, não é um preso político. Entre as cadeias portuguesas deve haver outros candidatos mais sólidos a símbolo, sério, de luta pela transparência, justiça e igualdade perante a lei. Gostava de os ir visitar.

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