Papeletas da Ladroeira

Um dia destes passamos ali por Torres Vedras, para ir comer um bacalhau assado ao oeste, e como a Câmara está falida, entregamos um euro; no Domingo seguinte vamos caminhar com os miúdos para à Arrábida e mais 2 euros para o Parque Natural, crianças têm 50% de desconto – conservação da estrada sabe?; quem quer em alternativa ir a Sintra, paga 3 euros – é património mundial, compreende?. António Costa, aliás, o PS, o PSD e o CDS, estão desde o início dos anos 90 a utilizar os impostos para remunerar os capitais e, todos os serviços que deviam ser pagos pela caixa comum dos impostos, são pagos de facto com taxas, que há dezenas, porventura centenas em tudo o que pagamos todos os dias. São em tudo idênticas às taxas medievais que foram abolidas no tempo do capitalismo progressivo que, e bem, no século XIX – aliás, bem é como quem diz, foi mesmo com uma guerra civil – acabou com os parasitas que viviam à conta das taxas e taxinhas. Dizem-me que agora é para o Estado e não para os privados. Mentira: como os privados, um grupo de senhores feudais modernos, ficam com o dinheiro dos nossos impostos, as taxas substituem-se. E a esquerda social democrata que apoia António Costa só sabe gritar que Passos Coelho é pior, tipo gosto mais que me batam com chicote do que com cinto.

Na revolta da Maria da Fonte chamavam a este saque todo “papeletas da ladroeira”. Havia gente séria lá no Minho. Espero lá ir comer cabrito com arroz de feijão, com um vinho verde e um pudim de abade de priscos – que já tem menos sabor por causa dos 23% de IVA, portagens na auto-estrada, impostos na gasolina…-, e não ter que pagar portagem ao Marquês de Amorim ou ao Conde Champalimaud, mesmo que seja um eurozito, ali à entrada de Viana. Já dizia o velho provérbio popular do século XIX quando mercenários, criminosos fugidos, contrabandistas, pegaram em espadas para ficar com os bens nacionais e aí foi-lhes dada terra roubada e um título que vigora até hoje na Quinta da Marinha, século em que começaram a formar os chamados “grandes grupos económicos”, famílias de “grande tradição e história”: «Foge cão, que te fazem barão! Para onde se me fazem conde?».

 

PS: esclarecimento, usei o exemplo de Torres Vedras (não sei se está ou não falida como a CML), e outros metaforicamente

Advertisements

3 thoughts on “Papeletas da Ladroeira

  1. Será esta a história do Homo Sapiens Sapiens:

    livres -> escravos -> servos da gleba -> assalariados -> votantes -> enjaulados

    Enjaulados em zoológicos quando chegar a fusão de homo sapiens sapiens com a inteligência artificial

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s