Honoris Causa – Horta Osório

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António Horta Osório, banqueiro, Presidente desde 2010 do Lloyds Banking Group, esteve em Portugal e disse que os portugueses vivem acima das possibilidades, isso já ninguém duvidava, há 47% de pobres, podíamos ter 67% ou 77%, ainda há muito para melhorar. Mas HO disse mais, disse que também o ” mundo vive acima das possibilidades” e que a Caixa Geral de Depósitos – e reforçou-o na mesma semana em que se tornou público que a CDG iria pagar o calote do BES – tem que ter “mais presença na economia” e que o Governador do Banco de Portugal actuou de forma correcta no BES. Reforçou que não há “alternativa” às políticas de erosão salarial e salvação dos activos desvalorizados a que Horta Osório, e tantos, chamam de “austeridade”. Compreendo agora porque o Jornal de Negócios considerou o banqueiro de uma instituição inglesa o 44.º mais poderoso da Economia portuguesa. Portuguesa, leram bem.

O Lloyds Bank, em 2009, perdeu num único dia 1/3 do seu valor em bolsa e mais 30% nos 4 dias seguintes (a isto chama-se falência) e foi de facto – cito palavras de um quadro do Banco de Inglaterra – nacionalizado. Pouco tempo depois AHO assumiu a liderança do Banco e fê-lo – todos os dias isto é citado em jornais portugueses – “regressar aos lucros”.
Fazer bancos regressar a lucros depois de terem sido injectados com quantias apocalípticas de dinheiros públicos é algo que só alguém muito experiente consegue…por exemplo, um CEO que gere de forma privada dinheiros públicos, o que em Portugal começa a ser sinónimo de ser agraciado com um doutoramento honoris causa. Ontem, no programa Barca do Inferno, dediquei o minuto final a entregar a Horta Osório um doutoramento honoris causa, antecipando-me ao dia – daqui a 1 ano e meio ou 2 -, em que o Lloys vai colapsar outra vez à boleia de uma nova crise cíclica com epicentro na produção industrial norte-americana e uma universidade portuguesa galardoará o banqueiro por toda a dedicação e criatividade deste em prol da humanidade.
Horta Osório merece-o também, é preciso salientá-lo, porque é um homem com coragem – e oh se já há poucos! É que ele disse isto tudo num país com 47% de pobres, onde 80% da população por conta de outrem ganha menos de 900 euros por mês, onde 10% dos que trabalham não conseguem chegar ao fim do mês e onde há fome oficialmente reconhecida e Horta Osório ganha 9 milhões de euros por ano, que, claro, são fruto exclusivo do seu árduo trabalho. E por isso o banqueiro tem direito a fazer parte daquele pedaço do mundo, 2% de acordo com a ONU, que detém 50% da riqueza mundial total, ou seja, a que é produzida pelo conjunto de toda a população produtiva. Um banqueiro assim merece o nosso reconhecimento, isto é que é mostrar aos ingleses como nós os portugueses mantemos o espírito guerreiro e ousado de sempre. Que orgulho!

PS: Desapareceu o “causa” do doutoramento! Foi por lapso meu mas acabo de concluir que foi escrever certo por linhas tortas…

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