LUSA: O livro “Relações Laborais em Portugal e no Mundo Lusófono”

imagem Rela Labo Livr

O livro “Relações Laborais em Portugal e no Mundo Lusófono” conclui que o trabalho forçado está na base da criação de alguns grupos económicos portugueses e estabelece as relações entre os fluxos migratórios e as economias dos Estados.
“Este livro é uma história das mudanças no mundo do trabalho e da população desde 1800 até aos nossos dias em Portugal, Brasil e no mundo lusófono. Não podemos compreender a própria reestruturação do trabalho no Brasil sem compreender a emigração portuguesa para o Brasil no final do século XIX e início do século XX, mas também a imigração de brasileiros para Portugal na década de 1990”, disse à Lusa a historiadora Raquel Varela, uma das coordenadoras da investigação.
O livro analisa ainda a problemática das relações laborais em Moçambique e Angola no início do século XIX e estabelece ligações entre o passado e o presente como no caso da Guiné-Bissau.
A investigação, que cita dados demográficos, refere que, na Guiné-Bissau, as matérias-primas eram transferidas diretamente para a metrópole onde eram transformadas, verificando-se uma forte dependência da colónia de produtos importados de Portugal continuando a verificar-se a mesma situação depois de 1974.
“A dependência económica manter-se-á, através de um fraco impulso económico em relação à agricultura, a escolhas de valor industrial dúbio e à continuidade da dependência estrangeira, num quadro de permanentes ajudas internacionais e programas estruturais desenvolvidos pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial”, escreveram Mária Augusta Tavares e Cátia Teixeira no capítulo sobre a Guiné-Bissau.
Raquel Varela sublinhou que há uma estreita ligação entre o trabalho forçado nas colónias e a vitória dos movimentos anticoloniais entre 1961 e 1974 (Guerra Colonial em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau) acrescentando que também havia trabalho forçado em “regime análogo” ao da escravidão.
“Havia trabalhadores que eram deslocados das minas de Moçambique para a África do Sul, impossibilitando os homens a abandonar o local onde estavam. O trabalho forçado durou – de facto – até 1974. Até ao 25 de Abril”, sublinhou Raquel Varela.
Segundo a historiadora da Universidade Nova de Lisboa, 60 por cento do salário dos trabalhadores forçados moçambicanos na África do Sul era entregue diretamente em ouro ao Estado português e, por isso, refere que não se pode compreender o “suposto sucesso e a força económica esmagadora de grupos económicos portugueses” antes de 1974 sem se compreender a forma como – em grande medida – foram construídos sobre o trabalho forçado nas ex-colónias.
Além de um extenso capítulo dedicado às relações laborais no Brasil entre 1800 e 2000, o livro inclui um trabalho sobre Portugal, em que se destaca o período do “Memorando de Entendimento” (2008-2013).
“Hoje a maioria dos desempregados vive da ajuda da família e não da assistência social, ou do Estado Social. O uso sistemático do uso dos dinheiros da assistência social para pagar a precariedade, financiando o layoff, estágios não remunerados”, explicou Raquel Varela acerca um dos capítulos sobre Portugal.
O livro “Relações Laborais em Portugal e no Mundo Lusófono – História e Demografia” (Edições Colibri, 305 páginas) foi lançado no final da semana passada e inclui ainda dados recentes sobre o sindicalismo em Portugal e a “história e fundamentos” do Direito ao Trabalho.

PSP // VM
Lusa/Fim

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