Esclarecimento

Ana Matos Pires colocou publicamente no seu mural do facebook, o seguinte comentário “Não vi (felizmente) mas diz que Raquel Varela insinuou aquela coisa do “estão mesmo a pedi-las”. Coisa mai uinda, riqueza d’avozinha dela.” A referência era ao Programa Barca do Inferno, de 6-10-2014.
Pela imensa gravidade do assunto – porque essa frase está associada aos sectores que legitimam a violação de mulheres por elas estarem com roupas ou gestos ditos “provocadores” – posição inaceitável e bárbara – cabe-me dizer o seguinte.
Jamais eu proferi qualquer frase, ontem no programa, ou fora dele, semelhante a essa ou que possa ter sido dessa forma interpretada. O que disse, e repito, não é que as “miúdas de santos” estão a “pedir” um piropo mas exactamente o contrário, que muitas têm comportamentos que configurariam, pelos gestos e acções, assédio sexual a homens, se a proposta do BE de ilegalizar o piropo fosse para a frente. E que todo o tema me parece ridículo e desnecessário. Elas e eles podem por mim piropar à vontade.
E não há qualquer espaço a interpretações dúbias.
Deixo finalmente uma nota central, de fundo.
Usar frases associadas a actos bárbaros, colocá-los na boca de alguém, é desonestidade intelectual. Em tempos de debate ético – onde o contraditório é sério mas a ética determinante – isso chama-se calúnia. Espanto-me todos os dias que as pessoas insistam em comentar os programas que não viram, os livros que não leram, os filmes que não viram. Se há coisa que tem que mudar neste país, para ele valer a pena, é começarmos urgentemente a discutir conteúdos – e a assumir as nossas posições contrárias – e não a arranjar caminhos tortuosos para levar a água ao nosso moinho, porque se não isto é um deserto de ideias.
Tenho uma lista de dados e hipóteses para partilhar, aqui, usando as horas vagas do meu trabalho, sobre justiça e educação, os temas centrais do programa, e até agora só escrevi sobre o piropo e sobre coisas que não disse…Eis o panorama.

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One thought on “Esclarecimento

  1. Realmente nós portugueses temos o hábito de opinarmos sobre tudo e criticarmos todos, mesmo sem nos informarmos suficiente sobre assuntos ou, neste caso em particular, sem assistir ao respectivo programa.
    Entendo perfeitamente o teor das suas afirmações sobre o piropo e o ridículo para que caminhamos ao legislarmos sobre este tema, quando há, nos tempos que correm assuntos muitos mais importantes e prementes que urge resolver e legislar.

    Relativamente ao programa apenas lamento que esteja tão mal acompanhada, não pelas pessoas em si (que não tenho nada contra), mas sobretudo pelo o que dizem e da forma que o dizem, compreendo que sendo um programa de televisão com um nome de “Barca do Inferno”, se tente criar alguma polémica, mas acho pessoalmente que não resultou e espero que sua participação neste programa não acabe por prejudicar a defesa das suas posições.

    Dado que nem sempre concordando com estas, considero uma lufada de ar fresco, face à corrente habitual existente no panorama português.

    Gostaria, isso sim, de a ver um dia no programa do Medina Carreira na TVI 24.

    Aposto que seria interessante.

    Melhores cumprimentos,

    António Silva

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