Democracia

Quando Mandela estava preso, acusado de terrorismo, com a anuência de todos os governos ocidentais, um bloqueio mundial dos estivadores exigia o fim do apartheid. A marcha que ilustra este texto foi organizada pelos estivadores norte-americanos contra a guerra do Iraque e do Afeganistão. Os mesmos estivadores – do Sindicato Internacional dos Estivadores (IDC) – que exigiram há 1 mês o fim do massacre israelita na Palestina; e que em 1984 pararam os portos de Londres e durante 4 meses recusaram-se a descarregar carvão, que a Inglaterra queria mandar vir para furar a greve dos mineiros. No dia 28 de Setembro celebram-se os 150 anos da fundação da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), uma das datas históricas mais importantes da época contemporânea – não se pode sequer compreender o sufrágio universal sem o situar historicamente no nascimento das formas de organização modernas do movimento operário, quanto mais os direitos laborais, a habitação, o Estado Social ou a segurança social. Se há herdeiros que se podem orgulhar e reivindicar a AIT, eles estão aqui, na assembleia geral mundial dos estivadores, que hoje reúne nas canárias, com 140 delegados de todo o mundo, para debater o que fazer contra os salários em atraso na Noruega, contra a ausência de liberdade sindical nas Honduras, contra o porto chinês de Pireus, na Grécia, contra a precariedade em Portugal, contra a UE, uma entidade comandada por um Banco, que acha que os estivadores espanhois são, cito, um “monopólio”. Nunca é demais lembrar que estes estivadores organizam-se em assembleias que votam de braço no ar, disputam eleições sindicais livres, e em muitos portos no mundo reúnem-se, às vezes mais de 1.000, como em Barcelona, em assembleias semanais, onde todos têm direito ao voto e à palavra e nenhuma, nenhuma repito, instituição europeia que toma decisões, funciona de forma electiva. Só queria lembrar que o peso terrível das ditaduras soviéticas – das suas castas burocráticas – não deve fazer esquecer que mesmo as liberdades democráticas elementares foram conquistadas pelos trabalhadores, contra a lei vigente, desde a AIT, e que hoje estes continuam, em muitos casos, como o do IDC, a dar lições de democracia. A Comissão Europeia podia dar um salto aqui às Canárias para aprender o bê-á-bá da democracia, aquele que postula, como um dos pilares elementares, que o poder executivo é eleito.

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