A nossa humanidade

O sionismo não é mais nem menos horroroso do que qualquer outra religião/Estado. O que distingue o sionismo é que tem um Estado, o maior do mundo – os EUA – , a armá-lo e por isso o seu grau de destruição é em escala industrial. Não é de religião que falamos, é de quem tem poder para matar à escala industrial. A morte de mais de 120 crianças em Gaza é um encontro, violento, com uma velha máxima que deveria nortear a vida de todos nós: impedir qualquer tipo de concentração de riqueza e poder. O poder nas mãos de poucos, de quaisquer poucos, será sempre, cedo ou tarde, demasiado.
A civilização em Gaza depende da democracia real, verdadeira, da maioria, nos EUA e no Ocidente, depende do momento em que a maioria passe a Governar os destinos dos países, e isso é totalmente incompatível quando metade da produção da GE, GM e Boeing é destinada à produção de material de guerra, directa ou indirectamente. Mas, não é só Gaza que depende de nós. A nossa humanidade depende da civilização em Gaza. É impossível ter assistido ao que vimos esta semana, às fotos daquelas crianças mortas levadas em braços pelos pais, e achar que todos somos inteiros, iguais, ao que éramos ontem. O desespero daqueles pais, que é o que lhes resta, numa prisão, rodeados de armas por terra, ar, mar, podia ser aqui no ocidente, um rio de gente, livre, que avançasse sobre as ruas e dissesse “Nunca Mais!”.
“Não dá para mudar o começo mas ainda dá para mudar o final”

Imagem: O artista israelita Amir Schiby presta homenagem aos 4 rapazes palestinos mortos na praia por Israel. Os seus nomes Ahed Atef Bakr, Zakaria Ahed Bakr, Mohamed Ramez Bakr et Ismael Mohamed Bakr.

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3 thoughts on “A nossa humanidade

  1. ” La terre nous est étroite
    Sur cette terre
    Sur cette terre,
    il y a ce qui mérite vie
    l’hésitation d’avril,
    l’odeur du pain à l’aube,
    les opinions d’une femme sur les hommes,
    les écrits d’Eschyle,
    le commencement de l’amour,
    l’herbe sur une pierre,
    des mères debout sur un filet de flûte
    et la peur qu’inspire le soulèvement aux conquérants.

    Sur cette terre,
    il y a ce qui mérite vie
    la fin de septembre,
    une femme qui sort de la quarantaine, mûre de tous ses abricots,
    l’heure de soleil en prison,
    des nuages qui imitent une volée de créatures,
    les acclamations d’un peuple pour ceux qui montent,
    souriants vers leur mort
    et la peur qu’inspirent les chansons aux tyrans.

    Sur cette terre,
    il y a ce qui mérite vie
    sur cette terre,
    se tient la maîtresse de la terre, mère des préludes et des épilogues.
    On l’appelait Palestine.
    On l’appelle désormais Palestine.
    Ma Dame, je mérite la vie,
    car tu es ma Dame. ”

    Mahmoud Darwich (1986).

  2. Pingback: A Raquel Varela e o “sionismo” | perspectivas

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