Fundo do Mar

Sophia foi retirada dos programas escolares, um dos poucos lugares onde manter-se-ia viva. Loulé retira hoje Sophia do Panteão para que os poetas tenham o lugar que todos merecemos, a nossa leitura, a nossa vida, os nossos olhos. Li agora para a sessão este poema. O meu obrigada a Carlos Albino, mentor desta ideia.
“Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso”.
Fundo do mar
No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
Sophia de Mello Breyner Anderson.

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