Precariedade e a Família

Não se consegue explicar a história de Portugal nos últimos 40 anos sem o salário família. Os 500 euros de salário ou o desemprego, no fundo, o fim do direito ao trabalho conquistado na revolução, só foi possível porque os pais pagaram o resto do salários dos filhos, mantendo-os em casa até aos 30, 35 e, hoje, 40 anos. Isso não faz parte da cultura católica do sul da Europa, porque não era assim, faz parte da precariedade do trabalho. A consequência política é a despolitização das camadas mais jovens da população, que tiveram na família um colchão social que evitou que vivessem mal – porque quem ganha 500 euros vive muito mal – mas ao mesmo tempo gerou uma infantilização política histórica de largos sectores da população, dos mais jovens, que naturalmente transferiram para o seio da família o conflito que devia ser nos espaços de trabalho e na relação com o Estado.

O resumo destas ideias numa conferência em Loulé, no âmbito das Comemorações dos 40 Anos do 25 de Abril em Loulé.

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