Duas leituras de Álvaro Cunhal sobre o 25 de Novembro

Este é um debate historiográfico interessante. Não é um debate urgente. Fiz a História do PCP na Revolução dos Cravos e descobri, já depois da tese, que me interessava mais a história do trabalho e do movimento operário. Hoje o PCP ocupa na minha vida de investigadora e nos trabalhos que oriento menos de 5% do meu tempo. Mas, com frequência, quando volto a este tema, vejo militantes do PCP com quem tenho um diálogo muito interessante, e outros que reagem de forma pouco serena, com muitos insultos, entre os que procuram questionar a seriedade do investigador aos que o fazem passar por um ser «obsessivo» (recordo com tristeza essa velha máxima de classificar-se opositores como doentes mentais). Na história, na vida, na política, debatem-se ideias, não pessoas.
Achei por isso por bem deixar aqui este extenso artigo, a propósito ainda da polémica suscitada com um artigo sobre o 25 de Novembro. Deixando a quem lê e quem critica (não me refiro a críticas sérias de debate fraterno) um aviso sério – o meu trabalho de historiadora não se compadece com pressões, venham elas da esquerda, da direita ou do centro, sejam elas sob a forma de calúnias ou ofensas. Nunca fugi a um debate sobre factos e interpretações, muitos sobre este tema já os fiz publicamente. Não me lembro de alguma vez na vida ter recusado um convite para debater o tema em público. Mas não dou um segundo do meu tempo a debater com fanáticos.

«O PCP teve duas leituras opostas sobre o significado do golpe de 25 de Novembro, cujo aniversário assistimos ontem. Recordei num artigo que Cunhal, numa obra referenciada sua, considera, em 1999, o 25 de Novembro um «golpe contra-revolucionário» onde o PS teria um papel central, mas em 1975 e 1976 considera o mesmo golpe um «sublevação militar» precipitada por sectores da esquerda militar, que se teriam recusado a dialogar com o Grupo dos 9, sublevação que, ao ser derrotada, permitiria ao PCP refazer a relação de forças com o mesmo Grupo dos 9.

Não me é claro a razão da mudança radical de tal interpretação: Ângelo Novo considera que tal se deve à queda do Muro, outros sugerem as crises politicas dentro do Partido, a erosão da força dentro da concertação social. Cunhal justifica a interpretação de 99 com os «novos testemunhos» que vieram à baila. Fica aqui um artigo com a análise destes dois Novembros, em tempos de reflexão sobre revolução e democracia» . O artigo completo está disponível aqui. Cunhal 25 de Novembro

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